Descubra quem foi Manoel de Melo, fundador da Igreja O Brasil Para Cristo, sua trajetória desde a conversão na Assembleia de Deus, as acusações de charlatanismo, seu pioneirismo político e a continuidade da obra por Paulo Lutero de Melo.
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Introdução
Entre os nomes que marcaram a história do pentecostalismo no Brasil, Manoel de Melo ocupa um lugar de destaque.
Fundador da Igreja O Brasil Para Cristo, foi um líder que misturou evangelismo, campanhas de cura, polêmicas e também um pioneirismo político.
Sua trajetória desperta admiração e críticas até hoje, sendo um retrato das complexas relações entre fé, sociedade e poder no Brasil do século XX.
A conversão de Manoel de Melo
Manoel de Melo teve sua conversão nas Assembleias de Deus, mais precisamente no Ministério do Belém, em São Paulo.
Naquele tempo, as Assembleias eram a principal força do pentecostalismo brasileiro, mas Melo logo demonstrou uma visão mais ousada e independente.
A ênfase em cultos ao ar livre e grandes concentrações o aproximou do povo, mas também o distanciou do modelo assembleiano mais tradicional.
Um evangelista ousado e controverso

O estilo de Manoel de Melo era direto e fervoroso. Suas campanhas reuniam multidões, com pregação vibrante, orações por cura e expulsão de demônios.
Muitos atribuíam a ele dons espirituais, mas parte da imprensa e até lideranças religiosas o acusavam de charlatão.
O motivo era o modo como associava curas e milagres ao pedido de donativos, o que gerava críticas sobre suposta exploração da fé popular.
Essas tensões, porém, não impediram que seu movimento crescesse rapidamente.
Política e religião: o caso Adhemar de Barros
Um dos episódios mais marcantes da vida de Manoel de Melo foi sua relação com a política.
Ele foi um dos primeiros pastores evangélicos a se envolver diretamente nesse campo.
O então prefeito de São Paulo, Adhemar de Barros, doou um terreno para a construção do templo da futura Igreja O Brasil Para Cristo.
Contudo, a área estava em situação irregular, o que gerou escândalo na imprensa.
Para os críticos, a doação era um jogo de interesses, mas para seus seguidores foi vista como um sinal de reconhecimento da relevância do trabalho de Melo.
Esse episódio mostra como a aproximação entre igreja e política, que hoje é comum, já estava presente nas décadas de 1950 e 1960 através de líderes como Melo.
O nascimento da Igreja O Brasil Para Cristo
Em 1955, Manoel de Melo fundou oficialmente a Igreja O Brasil Para Cristo, nascida com forte vocação evangelística.
A denominação ganhou notoriedade por suas cruzadas em estádios e praças públicas, reunindo milhares de pessoas em cultos de avivamento.
Com o lema ‘O Brasil Para Cristo’, a igreja não apenas pregava a salvação individual, mas também uma mensagem de impacto nacional, despertando a ideia de que o evangelho deveria influenciar a sociedade de maneira ampla.
Paulo Lutero de Melo
Após a morte de Manoel de Melo em 1990, seu filho Paulo Lutero de Melo assumiu a liderança da Igreja O Brasil Para Cristo.
Com uma postura mais institucional e administrativa, Paulo Lutero consolidou a denominação e buscou ampliar sua presença no cenário religioso brasileiro, mantendo vivo o legado iniciado pelo pai.
A situação atual da Igreja O Brasil Para Cristo
Hoje, a Igreja O Brasil Para Cristo continua ativa em todo o território nacional, com templos espalhados em diversos estados.
Ainda que não tenha a mesma projeção midiática de outras denominações neopentecostais, permanece como um marco histórico do pentecostalismo brasileiro.
Atualmente, a presidência nacional da denominação é exercida pelo Pr. Luiz Fernandes Bergamin, que lidera o Conselho Nacional das Igrejas O Brasil Para Cristo.
Ao mesmo tempo, o Pr. Paulo Lutero de Melo permanece como pastor-presidente do Grande Templo da Pompeia.
Essa divisão de funções reflete a estrutura federativa da igreja, que conta com convenções estaduais e uma coordenação nacional.
Considerações finais
Manoel de Melo foi um personagem multifacetado: evangelista ousado, acusado de charlatanismo, pioneiro no diálogo entre fé e política, fundador de uma das primeiras denominações pentecostais brasileiras independentes e líder de massas.
Sua vida ajuda a compreender como o pentecostalismo se desenvolveu no Brasil, sempre entre a devoção popular, as tensões sociais e a busca por espaço político.
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- O movimento dos sem igreja
- O que a Igreja contemporânea está pregando
Mais do que um nome na história, ele representa um capítulo vivo da construção da identidade evangélica nacional.
Fontes e referências
- Conselho Nacional das Igrejas OBPC – informações institucionais sobre liderança e estrutura. – Convenção Estadual de São Paulo da OBPC – registros oficiais de diretoria. – Publicações históricas sobre Manoel de Melo e o pentecostalismo midiático no Brasil.