No artigo de hoje vamos explorar a profecia que compara Jesus como verme no Salmo 22.

Na Bíblia, chamar-se de “verme” é uma metáfora de profunda humildade e despojamento diante do juízo e sofrimento — é uma figura que retrata o desprezo, a própria vulnerabilidade humana e o peso da redenção.

Essa imagem, presente no Salmo 22, encontra eco na tradição do Servo do Senhor em Isaías, cuja missão messiânica de sofrimento e salvação culmina em Jesus.

Contudo, essa é a afirmativa eloquente do Salmo 22:6, o salmista declara: “Sou um verme e não homem”.

Essa expressão, à primeira vista chocante, é uma metáfora profunda que aponta para o sofrimento de Jesus no Calvário — um homem divino que se fez completamente vulnerável por amor à humanidade.

Neste estudo vamos explorar por que a Bíblia usa a imagem do verme para revelar a missão messiânica de Cristo e o significado teológico dessa figura no contexto da redenção.

Quando falamos em verme, a imagem que nos vem a mente é a de algo insignificante, desprezível mesmo.

A Wikipédia traz uma definição de verme, usando a Taxonomia de Lineu.

O que é um verme segundo a Taxonomia de Lineu

Segundo a Taxonomia de Lineu, o grupo vermes designava todos os invertebrados não pertencentes ao grupo dos artrópodes, ou seja, todos os animais desprovidos de esqueleto interno ou externo.

Hoje em dia, chama-se verme a qualquer animal com o corpo alongado e ou achatado e sem esqueleto interno ou externo.

Não possuem membros, embora possam ter apêndices reduzidos na superfície para a locomoção.

Os vermes são encontrados em praticamente qualquer habitat, incluindo o mar, rios e subterrâneo.

Muitos também são parasitas como a Tênia. No entanto, alguns vermes, notavelmente a minhoca, desempenham um papel muito importante na ecologia.

Consignada estas informações é hora de prosseguirmos e falarmos do Salmo 22, retrato do sofrimento do Messias.

O que o Salmo 22 diz sobre sofrimento e desprezo

Jesus como verme no Salmo 22
Considere que não foram pregos que seguraram Jesus na cruz, foi amor, foi compromisso e a certeza de estar cumprindo a vontade do Pai.

No Salmos 22, há um relato dramático de Davi, uma situação em que ele se sentia impotente frente as adversidades que o acometia.

Este é um salmo messiânico, pois traz relatos do que aconteceria com o Messias, centenas de anos depois. 

A agonia e dor que Davi sente, é a mesma que Jesus sente na cena da crucificação.

Davi exclama nos dois primeiros versículos do Salmo 22. 1-2:

Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio!

Sabe aquela situação de extremo desespero que passamos e nos sentimos extremamente diminuídos e impotentes sem conseguir uma solução para afastar o que nos aflige?

Pois é, exatamente assim que Davi sentia. Diminuído, humilhado e considerando-se o mais impotente dos seres vivos.

No versículo seis, Davi afirma ser “um verme, e não homem”.

Relacionando o Salmo 22 com a Paixão de Cristo

Jesus como verme no Salmo 22

O espetacular filme Paixão de Cristo de Mel Gibson retrata a Paixão de Jesus de Jesus de acordo com os relatos dos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.

A película abrange as 12 horas finais da vida de Jesus. Em certo trecho do filme os soldados romanos açoitam a Jesus.

Um dos soldados o chama de verme enquanto outro soldado aperta a coroa de espinhos na fronte de Jesus e diz: Olhem para, o rei dos vermes.

Tinhamos o video disponivel deste trecho, mas devido a direitos autorais da Fox, o removemos. Prossigamos.

Tanto Davi, quanto Jesus foram motivos de zombaria, de desprezo e de insultos gratuitos.

As pessoas consideravam a Jesus impotente, pedia para que ele sendo profeta, descesse da cruz, salvar-se a si mesmo.

Essa história não termina aqui…  O milagre inédito do nascimento de Jesus

A zombaria era como se fosse abundantes águas na frente dos sedentos por um milagre de Jesus.

Salmos 22, o plano da redenção revelado a Davi

Salmo 22 e a linguagem poética do sofrimento

Mas naquele momento, Jesus não podia atender a nenhum pedido, cumpria levar adiante o plano da redenção de toda a humanidade, nestas condições é que Jesus declara-se um verme.

O Salmo 22 é das passagens mais eloquentes e inspiradoras da Bíblia, quem poderia imaginar que teríamos esta riqueza de detalhes neste Salmo?

Ele foi escrito cerca de 1.000 anos antes da crucificação de Cristo. No entanto, enquanto você lê todo o Salmo você pode ver claramente que tudo estava registrado como um evento profético que ocorreria um dia no Calvário.

O mistério das idades é mais uma vez revelada no fato de que o Senhor conhece o futuro melhor do que podemos lembrar o passado.

Deus predisse o castigo de seu Filho unigênito para a redenção do mundo. Cada detalhe é desdobrado e um milênio depois de ser escrita a profecia aconteceu!

É surpreendente Jesus chamar a si mesmo de “um verme”. À primeira vista, sabemos que verme sempre retratou depravação.

Foi na Geena, onde nos é dito na Bíblia que o verme não morre. Foi a um verme que Jó se comparou até porque ele se sentiu a mais humilde de toda a criação.

Os vermes tiveram sua parte na morte do ímpio rei como registrado no livro de Atos. No entanto, também sabemos que Jesus não tinha pecado!

Ele nunca foi tocado pela depravação, que é uma parte da nossa natureza. 

Ele foi tentado, mas sem pecado! Portanto, quando Ele se refere a si mesmo como um verme, é certo que deve haver um significado mais profundo!

Coccus ilicis e a relação com o madeiro

Coccus ilicis

Quando estudamos esse texto do Salmo 22.6, temos o termo “verme” que na transliteração do original é “coccus ilicis”, que significa: “lagarta escarlate”.

Vejamos uma exposição sobre isso: Quando a fêmea da lagarta escarlate estava pronta para desovar, ela prendia seu corpo ao tronco de uma árvore, fixando-se de maneira firme e permanente para jamais sair.

Os ovos depositados por baixo de seu corpo eram desta forma protegidos até que as larvas fossem chocadas e fossem capazes de assumir o seu próprio ciclo vital.

Quando a lagarta morria, o fluido carmesim manchava seu corpo e a madeira em volta. 

Dos corpos mortos destas lagartas escarlates fêmeas eram extraídas as tintas comerciais da Antiguidade de cor escarlate.

O verme vermelho (nome comumente dado a lagarta escarlate) subia na árvore por si só, ela procurava o carvalho, simbolo do seu destino.

Jesus deixou-se morrer na cruz, ele mesmo deu a sua vida.

“Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem recebi de meu Pai”. João 10. 18

O verme sabe que quando ele sobe na árvore, ele não voltará vivo. Cumpre o seu destino que é dar vida a uma família.

Da mesma forma Jesus ao subir no madeiro e lá cumprir os propósitos de Deus, deu vida a milhões de pessoas. Uauuu, que maravilha!!!

Uma vez na árvore, o verme vermelho garante segurança para sua futura família, pois o seu corpo será o refugio para a futura prole.

Considere que não foram pregos que seguraram Jesus na cruz, foi amor, foi compromisso e a certeza de estar cumprindo a vontade do Pai.

Esta mesma segurança os cristãos tem no Senhor que é Torre Forte e socorro bem presente na angústia.

A morte do verme – Semelhanças com Jesus

Após a sua morte, o verme vermelho deixa uma mancha na árvore, que o tempo não apaga.

Depois de três dias, o gel deixado pela lagarta é raspado da árvore e será usado para fazer corantes, que são usados na tintura de tecidos e objetos.

Este corante foi o mesmo usado no tabernáculo e nas vestes dos Sumo Sacerdote.

O sangue carmesim de Jesus vertido na cruz nunca perderá o seu poder salvífico. Isto não é maravilhoso?

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Após quatro dias, o lugar onde o verme estava, tem agora um formato de um coração.

Contudo não é mais vermelho, é uma cera branquíssima, branca como a neve. Esta cera é recolhida e usada para fazer uma goma, que é usada para conservar madeira.

Lembra da referência que o profeta Isaías fez do pecado? Aqui está: “Venham, vamos refletir juntos”, diz o Senhor. “Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão.” Is 1. 18

O verme quando esmagado libera um perfume delicioso.

Bendito seja Deus que nos deu o melhor perfume, o perfume de Cristo, que foi esmagado por nossas transgressões.

Você compreende agora por que Jesus foi comparado a um verme?

Isaías 41:14 e “vermezinho de Jacó”

Seguramente o profeta Isaías conhecia este Salmos de Davi (22), pois em uma profecia chamou a nação de Israel de “vermezinho de Jacó” (Is 41. 14). 

Que forma mais fofa! Que maneira singular e carinhosa de chamar o povo de Deus: vermezinho!

Os vermes têm uma particularidade que mais nenhuma outra criatura viva neste planeta tem, esta particularidade reside no fato de existirem vermes em todos os cantos do mundo.

Os vermes vivem em todas as condições meteorológicas e nos extremos mais inóspitos do mundo.

Eles tanto vivem em ambientes subterrâneos com elevados níveis de ácidos e gases nocivos a qualquer outro ser vivo, como vivem nos ambientes vulcânicos, desérticos, glaciares, como vivem também em outros seres vivos.

Deus sabe exatamente a razão de chamar ao seu povo de “vermezinho”. Isto inspira cuidado, zelo pelo Todo Poderoso. Ele sabe qual é a condição dele e aquilo que quer dele.

Seja em momentos de crise, como era aquele que o povo de Davi e Jesus estava, e aqui aplicado também a Israel, seja qual for o lugar no mundo onde estiver. No momento em que precisar de ajuda, Deus diz “Eu te ajudo”.

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Aplicação teológica e espiritual para hoje

Em um mundo em crise, Deus continua usando o “vermezinho”, o povo simples e desprezado, para encher a terra do conhecimento da Sua glória.

É por meio de mãos estendidas ao necessitado que o Deus que se revela na fraqueza se torna conhecido por toda a criação.

Ao reconhecer Jesus como o Servo que se fez ‘verme’ para nos salvar, somos desafiados não apenas a contemplar a profundidade de seu sacrifício, mas a assumirmos uma vida de humildade e entrega diante de Deus.

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Categories: Estudo Bíblico

Juraci Rocha

Juraci Rocha é o editor do site Filhos de Ezequiel. Os escritos de Juraci Rocha são informativos, envolventes, divertidos e desafiadores. É instrutivo ler seus estudos e conhecer seus pontos de vista práticos e profundos sobre o tecido da fé cristã.

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