O Evangelho de Mateus é o que dedicou maior espaço aos ensinamentos de Jesus.
A tradição cristã o considerou como o Evangelho Eclesial, aquele a partir do qual se elaborou a doutrina da Igreja.
Mateus é o evangelho mais valorizado em toda a tradição da Igreja e tem sido objeto de numerosos estudos e comentários.

A maneira que Mateus elaborou o seu manuscrito é atrativo.
A composição didática impressiona.
Há, de certa maneira, um quadro da cristologia das comunidades primitivas.
Em Mateus encontramos cinco grandes discursos de Jesus, veja no Infográfico a seguir.

Estas cinco unidades de discurso demonstram como Jesus vive com os seus discípulos sobre os quais vai construir a comunidade do Reino.
As unidades são compostas com o objetivo de ajudar os crentes a aprendê-las de memória.
Os cinco grandes discursos de Jesus distribuem a doutrina conforme os progressos da formação da sua comunidade.
Como Marcos, o evangelho de Mateus contará, numa primeira parte, o anúncio que Jesus faz do Reino de Deus, através de seus ensinamentos, curas e seus milagres, com a preparação longínqua da Igreja.
Numa segunda parte, o evangelista mostra a maneira como o Mestre, caminhando para a sua paixão, reúne seus discípulos a fim de constituir a comunidade, testemunha do Reino em gênese.
O esboço sugerido pela Bíblia de Estudo Almeida – Revista e Atualizada ajuda a perceber esse processo:

Mateus, como fonte, desconcerta o leitor contemporâneo.
Os princípios de composição e modos de interpretação remontam as correntes do judaísmo do século I.
Já o seu alcance, e por vezes o sentido, escapam à mentalidade moderna.
Autoria do Evangelho de Mateus
A teologia tradicional identificou o evangelista Mateus com o apóstolo Levi de quem fala o evangelho.
O nome de Mateus significa “Dom de Deus”.
A crítica moderna é quase unânime em negar o apóstolo Mateus como o autor do evangelho que leva o seu nome.
Segundo a opinião mais comum hoje, a autoria do evangelho de Mateus pertence a um “judeu-cristão” da segunda geração que escreve por volta do ano 80.
Acredita se que em meio a uma comunidade da Síria, envolvida em um confronto com o judaísmo.
Linguagem de Mateus

A linguagem utilizada por Mateus facilita à memorização. Ela contém uma estrutura sólida e claramente compreensível com uma diretriz ética e moral.
Os seus discursos são montagens literárias inspiradas nos processos rabínicos de composição.
Este processo se dá de formas repetidas, paralelismos antitéticos ou sinonímicos, e que foram bem conservados por Mateus.
Provém do ensinamento oral praticado pelos rabinos. O grego utilizado por Mateus é bem melhor do que o de Marcos.
Com respeito ao tempo de composição do evangelho de Mateus, não é possível fixar com exatidão.
Muitos pensam que o evangelho foi escrito em terras da Síria, talvez em Antioquia, depois que os exércitos romanos destruíram Jerusalém no ano 70. Provavelmente entre os anos 70 e 80 d.C.
Destinatário do Evangelho de Mateus
Sobre o destinatário do Evangelho de Mateus há certo consenso entre os estudiosos.
Trata-se de uma comunidade em Antioquia, na Síria (At 11,19-26; 13,1), capital da província romana, terceira cidade do Império, depois de Roma e Alexandria.
A comunidade de Antioquia formada em grande parte por judeus da diáspora com uma minoria de pagãos convertidos.
Este grupo é mais aberto na interpretação das Escrituras, na aplicação da Lei, no relacionamento com os pagãos do que a Igreja de Jerusalém, conservadora e ligada à tradição.
São muitas afinidades entre Mateus e Marcos quanto às partes narrativas. Há 178 passagens em comum. Mas há também mais ou menos 300 passagens próprias do evangelho de Mateus.
Continuidade da missão de Jesus
A missão em Mateus é bem desenvolvida (10.5-42). Mateus apresenta recomendações importantes já ai servindo como treino para o IDE, que é a pregação em todo o mundo a todas as nações.
E quando todas as nações souberem o mínimo possível para entender a Jesus, ele então voltará.
Em Mateus a obra missionária a ser realizada consiste em prolongar a ação de Jesus (10,1; 9,35): ir ao encontro “das ovelhas perdidas da casa de Israel”.
Para eles, “seguir” Jesus quer dizer estar pronto a entregar a vida para que se estabeleça o Reino, confiando naquele que envia e que se identifica com seu enviado (10,24-25,40).
Dentre outras lições, a de ir de dois em dois, no mínimo, é muito prática.
Parábolas de Mateus
O discurso das parábolas utiliza-se de um gênero literário frequente nos livros históricos das Escrituras, como nos dos profetas e nos escritos da Sabedoria.
A parábola consiste em explicar, ou antes, em fazer descobrir uma verdade profunda, uma realidade espiritual, por meio de comparações figuradas que o espírito apreende.
Escatologia de Mateus
A Escatologia é o ensino sobre as ultimas coisas que devem acontecer.
O discurso sobre a vinda do Filho do homem (Mateus 24) é muitas vezes designado como discurso escatológico.
Isto, porque oferece uma perspectiva definitiva sobre o compromisso do cristão com o que Mateus chama de “parusia”, isto é, o último “evento” do Filho do homem na história humana.
Em Mateus ele toma a forma de um discurso sobre a vigilância.
As visões escatológicas existiam na literatura do Antigo Testamento, nos profetas, especialmente em Daniel.
Paralelismo de Mateus
Em Mateus encontra-se uma figura de linguagem chamada paralelismo, que consiste no cruzamento das palavras de uma frase.
Por exemplo, Mt 16,25: “Aquele que quiser salvar sua vida (A), perdê-la-á (B), ou aquele que perder sua vida (B) por causa de mim, vai encontrá-la (A)”.
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