Você já comparou a igreja a uma prisão?

Você já comparou a Igreja a uma prisão? Que loucura né não? Vou ser um pouco mais ousado, e se te disser que considero a igreja uma prisão! Calma, que já explico o porquê desta afirmativa. Antes uma definição de Igreja, que é tida como uma comunidade formada por diferentes pessoas que compõe um corpo social organizado com o intuito de compartilhar crenças e que celebram as mesmas doutrinas religiosas.

A Igreja de hoje não é a mesma de ontem, não será a mesma de amanhã. O tempo passa, as pessoas mudam, e muda também o conceito de Igreja. Não deveria ser assim, pois os ensinamentos bíblicos são os mesmos para o homem do tempo de Jesus, igualmente para o homem da idade média e o homem moderno.

Hoje é mais importante o “TER” do que o “SER”. As pregações e ensinamentos bíblicos enfatizam a prosperidade e o bem estar. O evangelho pregado hoje é um evangelho raso, desprovido de conteúdo, de doutrinas bíblicas. São mensagens que enfatizam mais o imediato, priorizando o bem estar do que o plano salvífico de Jesus para as pessoas.

A sociedade tem múltiplos conceitos do que é a Igreja. Em 2009 o projeto Intervenção Rio, movimento interdenominacional,  foi às ruas e fez uma pergunta a 20 pessoas de contexto pós-moderno sobre o que elas pensavam sobre Igreja. A pergunta foi repetida em 2011 a outras 20 pessoas. Veja o vídeo abaixo para saber o que elas responderam.

A Igreja tem sido vista de diferentes formas por diferentes segmentos sociais. O mais grave é que é uma visão distorcida e desinteressada. O evangelho pregado hoje nas Igrejas perdeu a capacidade de atrair, de convidar a transformação, de oferecer uma mudança de vida.

Quais os atrativos das mensagens pregadas nos púlpitos? Você quer sinceridade? Percebo que são praticamente nulos vistos sob o ângulo da transformação do homem cristão, do homem que verdadeiramente ama e quer adorar a Deus.

A Igreja se tornou uma prisão

prisão

A Igreja se torna uma prisão quando as idéias, conceitos e objetivos circulam apenas dentro dela. Um grupo de presos dentro de uma cadeia, vai manifestar sempre as mesmas idéias, os mesmos conceitos e vivências. Por mais revolucionárias que sejam suas idéias, elas continuam dentro da cadeia, circulando entre os presos.

Não é diferente com a Igreja. Esta se fechou, os cultos são rigorosamente iguais. Neste sentido, as pessoas estão na congregação como se estivesse fazendo parte de uma tribo, de um clube social, onde são aceitas e aceitam a outros. É sempre mais do mesmo! Não muito tempo atrás a Igreja era vista como um modelo de caráter, de sinônimo de bom comportamento social, de respeito ao próximo e honestidade. A Igreja construiu esta imagem por conta da sua austeridade.

Hoje, quando algum cristão fere as boas práticas de convivência social, é imediatamente lembrado de que é um “crente”. Não deveria ser assim, bom caráter e justeza de ações não é exclusividade de pessoas religiosas, mas deve ser um ativo precioso de pessoas de bem, independente de suas crenças. Esta situação traz inúmeros resultados, desde a peregrinação de cristãos de uma Igreja a outra, a até ao desencanto de muitos que após muitas tentativas de encontrar a Igreja perfeita, abortam qualquer tentativa de congregar em uma nova denominação.

Desde quando a Igreja é uma prisão?

Como disse, parágrafos mais acima, o tempo muda, as pessoas mudam, mas ressalto que a mensagem do evangelho deve ser sempre a mesma para todas as nações, tribos e povos de todos os tempos. A mensagem deve carregar os elementos que mostra um Cristo que fora dado como morto, mas que vive. Um Cristo que idealizou e praticou o plano da redenção para o homem caído. Esta mensagem está pouco a pouco sendo abandonada. No lugar dela, outras preocupações.

A Igreja se torna uma prisão quando interpretações e compreensões diferentes sobre as Escrituras ganham margem e são implementadas. Quando normas e regras são impostas como sendo verdade, quando impostas como regras de salvação.

O que Salomão tem a dizer sobre isto?

Já falamos aqui sobre os 10 homens mais inteligentes da Bíblia e não listamos a Salomão na nossa lista, mas vou citar um único versículo dele que justifica ele ser considerado um dos homens bíblicos dos mais inteligentes: “Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?” Ec 7. 16

Que coisa! Parece uma insanidade a fala de Salomão. Será que ele quis dizer que há um limite para praticar a justiça ou ser santificado? De forma nenhuma! O que Salomão está querendo dizer é para o cristão não viver no legalismo. O legalismo consiste num sistema de regras e regulamentos para se alcançar o crescimento espiritual.

O apostolo Paulo fez uma severa advertência contra o legalismo. “Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras tais como: “Não manuseie!” “Não prove!” “Não toque!”?

Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne”. Cl 2. 20-23

Bingoooo! Paulo foi super descritivo e feliz na admoestação. A Igreja do seu tempo estava se encaminhando para a prisão. O apostolo Paulo lembra que a obra da carne não tem poder de salvação, mas sim a Graça de Cristo Jesus.

Evite a prisão espiritual

Quando a Igreja quer substituir os ensinamentos de Deus e introduz conceitos e ideologias terrenas no plano de salvação, o resultado é a prisão espiritual. Os afetados deixam de viver plenamente a graça e misericórdia de Deus. Assista mais um vídeo, logo em seguida retorno para finalizar nosso assunto.

Voltei! A 30, 40 anos atrás as Igrejas aplicavam uma doutrina rígida, não se podia fazer quase nada. O sistema era bruto. Havia advertências desde o tipo de vestimenta para os membros, a até a proibição de se assistir televisão a até ouvir rádio.

Lembro-me que na Igreja que eu congregava, casais de namorados não podia andar de mãos dadas na rua, nem ir ao Zoológico que eram disciplinados. Mas, uma coisa devo admitir, o temor a Deus e a intimidade do cristão com o Senhor era maior, os cristãos eram orientados a respeito da vontade de Deus e se comportavam melhor.

Vamos relembrar a orientação de Salomão mais uma vez “Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio por que te destruirias a ti mesmo? Eclesiastes 7. 16.” O sábio afirma que o legalismo, as coisas desmedidas causam destruição.

Passado quase meio século, a Igreja de hoje liberou tudo, quase tudo é permitido. A pregação e orientação sobre a santidade sumiram dos púlpitos, igualmente a advertência da volta de Jesus. As mensagens de hoje enfatizam o “TER” em detrimento do “SER” um com Jesus. Que contraste violento!

Abrindo as algemas

Finalizando, responda-me, que interesse as pessoas que foram entrevistadas vão ter em adentrar uma Igreja para assistir um culto? O que vai atraí-las? Qual será a mensagem que vai ter o poder de impactá-las e faze-las sentir a vontade de conhecer os passos da salvação? Nós temos as respostas, só não queremos admiti-las.

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Se esta pessoa tem esta visão da Igreja, e nem manifesta interesse em conhecê-la, então o evangelho não alcança estas pessoas. E quando ela vem para a Casa de Deus, nós costumamos olhar enviesado para elas, em fazer pré-julgamentos. Em contrapartida muitos lideres terminam por abrir Igrejas ditas inclusivas que recebe e acolhe os ditos “diferentes” e ministra-lhes a Palavra de Deus.

Somos libertos em Cristo. Não convém metermos o pescoço debaixo do jugo do mundo. Rompamos de nossos olhos as escamas da ignorância. Que toda algema seja aberta e que vivamos a plenitude da Graça de Deus.

Você já comparou a igreja a uma prisão?

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