Um estudo diferente sobre a parábola do filho pródigo

Uma das parábolas que mais me fascina é A Parábola do Filho Pródigo. Talvez seja a mais conhecida das parábolas de Jesus, e apenas o evangelista Lucas a registrou. (15. 11-32). Um homem possuía dois filhos, o mais moço solicitou ao pai parte da herança, pois pretendia viajar pelo mundo afim de conhecer-lo. (a palavra “pródigo” significa “desperdiçador, extravagante”.

A Parábola do Filho Pródigo é a terceira e última de uma trilogia de parábolas sobre a redenção, vindo após a Parábola da Ovelha Perdida e a Parábola da Moeda Perdida. Gravei um CD com este tema com o titulo A Conquista do Pródigo, uma mensagem de despertamento.

A mensagem foi baseada no livro O Filho Pródigo do escritor, professor e matemático Julio Cesar de Mello e Souza, mais conhecido como Malba Tahan. O CD gravado foi uma mensagem voltada exclusivamente de despertamento, mas aqui na transcrição do CD, procurei colocar o texto apenas como forma de informação, vazada numa linguagem poética. Então, vamos acompanhar a riquíssima história do Filho Pródigo.

Aproveitemos meu bom amigo estas horas calmas que precede o suave declinar da tarde. As cigarras pousadas na velha figueira já iniciaram seus estrídulos e as andorinhas inquietas sem rumo cruzam e recruzam o céu palestinense banhadas pela carícia do ar.

Sigamos pela estrada que atravessa os campos de Ló e contornam os vales de Jezreel. Do alto de um daqueles gigantescos cedros que balizam a estrada poderíamos divisar, muito ao longe, as antigas terras dos heróis macabeus. Aqui e ali, pequenos letreiros em aramaico ou em grego com arrogantes legendas latinas avisam aos menos cautelosos que a Palestina se acha desgraçadamente sob o guante de Otávio Augusto, o primeiro imperador romano.

A família do filho pródigo

filho pródigo
Ilustração: O regresso do filho pródigo (det.) | Bartolome Esteban Murillo | 1670 | Museu do Prado, Madrid, Espanha | D.R.

Estamos em terra de Siriah, próximo de Arimatéia. Siriah que dizer “aquela que Deus sustenta”. Nesta terra há um homem rico e honrado chamado Naumin-El-Uri. El-Uri quer dizer “aquele que está com Deus”. Este homem possuía dois filhos, um com nome Natan que era o mais velho. Este era quieto e taciturno. Homem de poucas palavras e extremamente aferrado a seus deveres e responsabilidades.

Uma vez por semana Natan dirigia-se a Jerusalém para vender a produção da propriedade de Siriah, ocasião em que levava consigo toda sorte de frutas, verduras e manufaturas que era produzido em Siriah. Jessé, o filho mais novo era muito diferente de Natan. Jessé era alegre, expansivo e demonstrava carinho com todos os servos da propriedade.

Naumin-El-Uri, o rico senhor de Siriah tinha sobre a sua guarda noventa e nove servos de diferentes nacionalidades. Dentre elas damascenos, gregos, troianos, sirianos, romanos e outras nacionalidades debaixo da proteção do bondoso El-Uri.

Transcorria a vida tranquilamente em Siriah. Tudo na mais perfeita paz, nada fora dos eixos na cidade de Siriah. Na sua mocidade Naumin-El-Uri amou profundamente uma mulher por nome Jezana que lhe deu dois filhos, Natan e Jessé. Em Siriah, a graça e misericórdia imperavam, o amor de Deus transbordava misericordiosamente no coração de todas as pessoas da propriedade.

Os visitantes de Siriah

Não havia aborrecimento algum, nada que ameaçasse a paz do lugar porque El-Uri era um homem abençoado, através de suas bondosas mãos Deus fazia e administrava justiça. As coisas se davam assim, sem maiores novidades até que numa tarde de sol e de muito calor, por volta do meio dia, chegaram à propriedade dois ricos perfumistas. Era Obadias Ben Jafet e seu dileto amigo Chalubi El-Abras que indagava a respeito do senhor da casa.

Naumin dormia sua sesta. Jessé julgou por bem não despertar o pai por conta de dois perfumistas e foi ele mesmo atender os visitantes. Os visitantes como tantos outros que procuravam a propriedade podia contar com uma boa acolhida, eram alvos de boa hospitalidade.

Jessé recebeu os dois viajantes e preparou-lhes uma mesa conforme o Salmo 23 “Preparas uma mesa para mim”. Jessé ofereceu uma excelente hospitalidade para aqueles homens. Após as refeições, Obadias Bem Jafet que tinha uma peculiaridade, pois conversava de forma martelante, repetindo as frases, começou a contar coisas da sua vida.

Em determinado momento Obadias deu a saber a Jessé que conhecia a Natan, que por diversas ocasiões ambos se encontraram na cidade de Jerusalém. Informou mais, que Natan negociava com os comerciantes e frequentadores do Templo. Sem que Jessé solicitasse mais informações o linguarudo Obadias confidenciou que Natan encontrava-se perdidamente apaixonado por uma moça de Jerusalém, uma cacteira viúva.

Além da carpideira, Natan também gostava de uma singela donzela do Vale dos Queijeiros, uma belíssima damascena. Porém Jessé não se mostrou entusiasmado com as revelações de seu hospede.

Jessé nunca havia saído da casa de seu pai

A conversa agora se enveredou por outros rumos, e Obadias quis saber de Jessé, se este conhecia a Jerusalém. Timidamente, Jessé admitiu que nunca havia ido a Jerusalém, que o único local que ele conhecia era Siriah. Contou que o único lugar que havia ido era a cidade de Arimatéia.

A esta resposta Obadias e seu companheiro El-Abras ficaram estupefatos. Pois aquele jovem rico que era um excelente matemático, sabendo todas as operações matemáticas. Mais! Jessé também era um ótimo viticultor, conhecendo todos os processos da viticultura, desde a escolha do terreno até a época certa do plantio da videira até a colheita.

Jessé era uma pessoa culta, pois dominava diversos idiomas. Obadias e El-Abras não compreendiam porque um jovem com tantas qualidades se mantinha preso a propriedade familiar, não sabendo do mundo exterior. Diante do espanto dos seus interlocutores, naturalmente Jessé admitiu que conhecia apenas a Arimatéia e a propriedade onde houvera nascido e se criado, a casa de seu pai. Siriah!

Sem que se desse conta Obadias e El-Abras estavam sendo usados para tirar a Jessé da casa do pai. Eles argumentavam insistentemente com Jessé, afirmando que mesmo ali no conforto e aconchego familiar Jessé não poderia se privar de conhecer outros lugares.

Jessé é seduzido pelos visitantes

A atenção de Jessé foi despertada violentamente. Ele começou a ser seduzido, ele foi sendo persuadido a deixar a casa de seu pai e saír para conhecer o mundo lá fora, que nas palavras de Obadias e seu companheiro El-Abras era o melhor dos mundos.

Jessé não vigiou, ignorou os muitos conselhos de seu bondoso pai. Esqueceu-se que dentro de Siriah, nada lhe faltava, estava protegido e seguro. Um turbilhão de pensamentos agitava o coração de Jessé. As palavras de Obadias martelavam em seu interior, era como se luzeiros intensos piscassem sucessivamente.

“De que te adianta viver esta liturgia de salmos, cânticos e orações, situações cotidianas. Você deve descobrir os prazeres do mundo! O mundo espera que você o descubra, onde mulheres belíssimas, nuas e sedutoras. Mil belezas, as sete maravilhas do mundo te esperam, aqui em Siriah, fechado na sua propriedade, apenas há a repetição dos dias!

Você vê apenas o gado no pasto e os canteiros de balsamo e as uvas dependuradas no cacho. Saiba que um jovem da sua qualidade precisa correr o mundo”.

E Obadias e El-Abras, tanto insistiram, que obtiveram de Jessé o consentimento de acompanhá-los. No intuito de reduzir alguma eventual resistência, Obadias lembrava a Jessé que ele tinha a apenas a Natan como co-herdeiro. Jessé foi aconselhado a ir a El-Uri imediatamente e solicitar a sua parte na herança para que tivesse condições financeiras de empreender a sua viagem. Ao se despedirem, Obadias e El-Abras combinaram com Jessé que dentro de 3 dias o aguardaria na cidade de Bersabéia.

O filho pródigo resolve deixar a casa do pai

Jessé estava fascinado com as múltiplas possibilidades de conhecer coisas novas. Ele havia decidido que deixaria a casa de seu pai e iria para um local distante. O mundo o aguardava. Jessé decidiria ir imediatamente falar com seu pai, nem que fosse necessário interromper sua sesta. De onde Jessé estava até os aposentos de Naumin havia 03 salas.

Ao chegar à primeira sala, antes de transpor a primeira porta, Jessé lembrava vivamente da sua infância feliz e acolheradora, mas ao mesmo tempo lembrava-se das palavras de Obadias e dos encantos que este lhe falara, dentre elas as riquezas que o aguardava e as sete maravilhas do mundo. Com o coração ainda dividido, Jessé atravessou a primeira porta.

Chegando a segunda porta, prestes a entrar na segunda sala, uma sombra de incertezas assaltou o espírito de Jessé, ele tentava imaginar como seria o seu futuro. Mas os encantos do mundo descritos por Obadias estavam latejantes no coração de Jessé. A possibilidade de conhecer a Antioquia, Roma e Grécia encantavam-no.

Ainda dividido, Jessé atravessa a sala com passos lentos. Ao adentrar a terceira sala, Jessé vê pelas vidraças as vacas que pastavam no pasto, lá ao longe e que tingiam de branco em determinados pontos a verde paisagem dos campos. Ele sabia, que o gado estava seguro e protegido pelos abnegados pastores.

Olhando mais a direita ele vê os canteiros de balsamo de onde se extraia os perfumes suaves e unguento que curavam as feridas. Ao olhar para a esquerda, Jessé viu as pombas a voar e riscar o céu de um lado para o outro. As andorinhas voavam por rumos e vôos incertos. Jessé não sabia que ao deixar a casa de seu pai, estaria ele também voando sem rumo, em vôos incertos.

Jessé comunica ao pai sua partida

Já transporto a terceira sala, Jessé está agora diante do pai, que já estava desperto. Jessé pede a benção para seu pai. Rapidamente, Jessé comunica ao pai os seus desejos. Não queria perder tempo, queria eliminar toda a resistência a sua partida. Não queria dar tempo ao pai para que fizesse considerações, então subitamente, Jessé cria coragem e diz: “Pai, eu quero a minha parte da herança, empenhei a minha palavra com dois amigos de que partirei com eles em viagem pelo mundo!”.

Naumin estava surpreendido. Ele jamais esperava uma situação como estava. Desnorteado ele ainda ouvia Jessé balbuciar qualquer coisa como “conhecer o Egito”. Recobrada a lucidez, Naumin contrariado deu a Jessé a sua parte na herança. O bondoso pai ainda lembrava ao filho prodigo que as portas de sua casa estariam abertas para quando o filho quisesse retornar.

Ao partir, Jessé magoava corações, esquecia se das amizades, ignorava quem o amava. Um dos corações extremamente magoado foi o de uma moça que em segredo amava a Jessé. Telinha, de beleza singular era admirada por todos os rapazes da propriedade, que não se cansavam de relatar sua beleza uns aos outros.

Ela, contudo ignorava estas coisas, seu coração estava enamorado de Jessé. Jessé nem de longe desconfiava do amor que lhe devotava à belíssima grega. Telinha era eximia tocadora de harpa e de voz maviosa que era mais bela que o canto dos pássaros. Em Siriah, todos os dias ao último raio solar, servos e senhores se reuniam sobre a orientação do Rabi Ariel, ocasião em que era auxiliado pelo pastor de cabras Otiniel.

Jessé partiu! Deixou para trás um grande amor

Todos se reuniam para celebrar ao Senhor com cânticos, salmos e a leitura das Sagradas Escrituras. Com seus dedos ágeis e voz divina, Telinha louvava ao Senhor. Uma atmosfera celestial envolvia a todos. Telinha era ainda mais admirada. Os rapazes solteiros secretamente a desejavam para esposa. Jessé ignorava a ardente paixão e admiração que Telinha nutria por ele. Chamas de amor, chamas do Senhor. Soubesse, era possível que seu destino fosse outro.

Ao partir, Jessé, nem ao menos se prestou a lançar um último olhar para trás, caso o fizesse veria Telinha prostrada e com os olhos marejados que fazia uma oração pelo seu amado “Senhor, guarde o teu servo por onde quer que ande, não o deixe se perder”.

Ávido por conhecer o mundo, Jessé não percebeu que atrás de si a congregação orava por ele. Todos tinham incertezas quanto ao futuro de Jessé. O preocupado e bondoso Naumin encontrava-se na sala, pesaroso por seu filho haver deixado a casa paterna.

Jessé partira, acompanhado de dois servos da propriedade, Habib e Joabe. Em determinado ponto os fiéis empregados despediram se de Jessé. Cortados estavam todos os laços com a casa paterna.

Jessé inicia uma nova jornada, novos amigos, por fim ele se estabelece na cidade de Sela. Na nova morada ele comprou um belíssimo palacete e pavões para enfeitar a casa. Estes eram irritantes, pois pipilavam o dia todo. O custo para manter os pavões era altíssimo. Jessé também investia alto na compra de tapeçarias e cercava-se de luxo.

Jessé, o filho pródigo cai em desgraça

Na condição de novo rico Jessé fez-se amigo do rei de Sela, o Rei Aretas IV. Jessé ignorava o que possuía, gastava desmedidamente, sem prevenção alguma. Entregou-se ao luxo e prostituição. As mulheres procuravam-no insistentemente, todas com interesses escusos. Jessé apaixona-se por uma destas mulheres. Aisha, a paixão de Jessé era uma mulher muito sensual e extremamente vaidosa e que fazia questão de estar cercada da alta sociedade nabateana.

Os recursos de Jessé escorriam por entre seus dedos assim como a areia do deserto escorre entre os dedos do beduíno, mas ele ignorava esta situação, assim como ignorava o grave quadro político que envolvia o rei Aretas IV e o governo romano. Este último resolve marchar contra o rei Aretas que frente ao incrível poderio militar dos romanos, outra alternativa lhe restara a não ser fugir.

Jessé ouvira comentários na cidade a respeito do inevitável conflito. Muitos o aconselhavam a abandonar a cidade, visto que a invasão era iminente. Mas ele não dava créditos confiando na posição militar e na amizade do rei Aretas. Um dos que o aconselhava a sair da cidade era o rico perfumista Obadias, que agora se arrependia de haver jogado aquele jovem naquela louca aventura.

Obadias insistia com Jessé para que fosse para Alexandria ou até mesmo o Egito, mas que deixassem imediatamente a cidade. No entanto, Obadias nunca aconselhava a Jessé a voltar para Siriah, para a casa paterna. Sempre o aconselhava a ir para um lugar mais distante e diferente.

Jessé é surpreendido pelos acontecimentos

Passados alguns dias Jessé vê a população da cidade em fuga, então resolve ir a até o palácio do rei Aretas para saber o que de fato acontecia. Ao chegar nota os portões do palácio abertos e sem sentinelas. Ele adentra o palácio e nota a quietude do lugar, ninguém. Ele grita chamando pelos guardas. Uma única pessoa aparece, era um velho zelador que havia ficado para tomar conta do palácio. Jessé pergunta pelo rei, o pobre zelador responde que o rei havia fugido.

Jessé custou a acreditar que o rei havia fugido, mostrava se visivelmente surpreso. Ele não esperava que isto acontecesse. Ele estava desnorteado, pois confiara que o rei era o seu suporte, era sua confiança, no entanto, o rei fugira e nem ao menos o comunicara da sua decisão.

Depois de algum tempo imaginando possíveis saídas, Jessé decide reunir os recursos que pensa ainda lhe resta e partir da cidade, mas pensa levar consigo Aisha que ele julga nunca sofrer traição por parte do seu amor. Ele imagina uma nova vida em Alexandria ao lado de Aisha, mas ao chegar ao seu palacete ele vê destruição por toda parte. A sua amorosa mulher havia aproveitado da oportunidade e junto com ladrões do deserto havia roubado tudo que lhe restara. Roupas, tapeçarias, quadros e jóias, tudo havia sido levado.

Apenas um quadro restou a Jessé

Apenas um quadro restara na parece suntuosa, o quadro da Nabateana Sem Olhos. O quadro ocultava um segredo de posse apenas de Jessé. Na pintura daquele quadro, nas mãos da Nabateana Sem Olhos, havia uma mensagem entendida somente por Jessé. Era um lembrete de que atrás do quadro havia recursos previamente escondidos por ele em caso se emergência. Mas, na sua aflição, Jessé não atentou para o quadro. Por onde olhava seus olhos só viam destruição. Era como se não tivesse olhos para ver uma saída.

Desolado ele procura o porteiro do Olho Roxo, hospedaria onde houvera se hospedado assim que chegara a cidade. Ahmude, o porteiro do Olho Roxo o aconselha vivamente para que deixe a cidade, visto que ele corre perigo de morte pelos romanos, devido a sua proximidade com o rei Aretas. Ahmude recomenda que Jessé fuja para a longínqua cidade de Zebhar, onde ele pode encontrar trabalho.

Sem recursos, sem esperanças, Jessé chegar a Zebhar, onde procura Armod Ze Biu, um rico morador da cidade. Nenhum trabalho há a não ser cuidar de porcos. Sem alternativa, ele aceita o degradante trabalho. Seu novo patrão ainda lhe lembra que ele não passará mais fome, visto que terá a sua porção diária.

Jessé se dá conta que está abandonado

Jessé em sua árdua tarefa constata que fora abandonado, pois ninguém lhe dava nada. Já era o sexto dia e em nenhum dos dias anteriores, sua ração diária lhe fora enviada. Jessé estava esfaimado. No local onde estava chovia diuturnamente, a roupa colava ao seu corpo. Somava-se a este infortúnio os persistentes mosquitos que não lhe davam tréguas.

filho pródigoFaltavam os alimentos para Jessé, mas para a criação de porcos nada faltava. Estes eram alimentados por ele 3 vezes por dia. O esfaimado homem pensa em se alimentar das alfarrobeiras que ele dava aos porcos. Estas eram duras, sem sabor e espinhava a boca, mas ou comia ou morria de fome.

Era madrugada e chovia torrencialmente. Encharcado, Jessé começa a comparar a situação de agora com a que tinha quando estava junto com sua família. Ele pensava no contraste violento do antes e depois.

Na casa de seu pai Naumin, abundância de viveres, aqui perecia de fome e frio. Intimamente ele ouve um chamado para regressar a casa do pai para desfrutar das bênçãos que outrora eram multiplicadas.

Jessé toma uma decisão, ele vai voltar e confessar diante do seu pai a sua insensatez, dirá que pecou diante dos céus e da sociedade, implorará o perdão a seu magnânimo pai. Ele espera ser recebido como um dos tantos trabalhadores que seu pai tem.

O filho pródigo resolve voltar a casa do pai

Com a decisão tomada, ele deixa bastante alimentos para os animais, e perseverante, destemido, pega a estrada para voltar a casa de seu pai. No entanto, a jornada é longa, é duríssima. Muitas vezes o desânimo o assalta, as forças fraquejam, mas ele se lembra das tantas vezes que ouvira que “o justo cairá, mas não ficará prostrado” nas reuniões que presidia o rabi Ariel.

Nestas ocasiões sua fé se fortalecia e ele se imaginava passando pelo fogo, pelas águas, mas em nenhum momento se sentia desamparado como agora. Estas lembranças o fortalecem, o anima a prosseguir. Mais adiante, em sua jornada Jessé encontra um leproso. Ambos, companheiros na desgraça, tornam-se amigos. O leproso ouve de Natan que caso ele o acompanhe, o seu pai vai cuidar dele. Jorai, o leproso, argumenta que por ser leproso é repudiado por todos e que tampouco pode adentrar a maravilhosa Siriah, onde reina a paz e felicidade.

Jessé então conta para Jorai a história de Onan, homem que fora assaltado e brutalmente espancado por salteadores. O bondoso Naumin o socorrera, cuidara de suas feridas e lhe dera morada em sua propriedade. Diante destas palavras e na certeza do amparo por parte de Naumin, Jorai acompanha a Jessé.

A restauração espiritual de Jessé

Ambos caminham pela estrada quando avistam a Curva dos Cinco Cedros. Cada um dos cinco cedros foram plantados em distintas ocasiões e tinham nomes distintivos. O cedro da misericórdia, o cedro do amor, o cedro da compaixão, o cedro da vitória e o cedro da graça.

Ao chegar à Curva dos Cinco Cedros, faminto, esfarrapado Jessé levanta as mãos para os céus e faz uma das orações que tantas vezes fizera quando estava na casa de seu pai “Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças”.

No preciso momento, do alto da propriedade, no alpendre, na sala se encontra Naumin-el-Uri e seu dileto amigo, o rabi Ariel, que desde a partida de Jessé confortava a Naumin. O baque para Naumin tinha sido forte e insuperável pela perda do filho.

Jessé confessava seus pecados, lembrava da sua condição de outrora. Ele implorava “Salva-me, ó Deus, pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder. Ó Deus, ouve a minha oração, inclina os teus ouvidos às palavras da minha boca. Em ti, minha alma arrependida se refugia”.

Naquele momento, Jessé desfalece, a dor que sentia era dilacerante, seus pés sangravam, suas entranhas queriam devorar o mundo. O atento Ariel estava atento a cena que se desenrolava na Curva dos Cinco Cedros e disse a Naumin “olha meu bom amigo, olha para aquelas campinas, olha para onde está a Curva dos Cinco Cedros. Estranho, aquele mendigo parece que está orando, de mãos levantadas parece que faz uma prece”.

A emoção do pai ao reencontrar o filho

filho pródigo

Naumin dirige o olhar para onde o amigo dissera, e vendo a cena, seu coração de pai lhe dizia que não era um mendigo, então jubiloso ele grita “não rabi, não é um mendigo qualquer, é meu filho. É meu amado filho que está voltando. Meu filhinho, meu filhinho está voltando”!

Ao ouvir tais palavras, apressadamente o piedoso Ariel chama os servos “Jabibe, Jorai e Joabe, venham, venham depressa, pois o filho do nosso senhor está voltando”. Todos correm! Felipe Aminto, o pai de Telinha, é o primeiro que chega ao local e começa a examinar o estado do moribundo.

Naumin chega logo em seguida amparado por Jaséias “aquele que tudo vê” e debruça-se sobre o filho, soluçando e beijando-o. Joabe por sua vez, diz que não há vida no corpo.

Naumin ainda crê na misericórdia, no amor, na compaixão de Deus e diz “não, meu filho ainda vive”. Depois dos primeiros socorros, Naumin está eufórico pela volta do seu querido filho. Jessé lentamente abre os olhos e encontra os olhos do pai, e neles vê a misericórdia, a compaixão, o perdão que sua alma angustiada tanto procurava. Os olhos de Naumin irradiavam luz e amor.

Naumin recomenda a Felipe que leve a Jessé para a sua casa, que o lave e cure as suas feridas com o precioso balsamo de Gileade. Aconselha que depois de restabelecido, Jessé seja vestido com a melhor roupa e tenha um anel em seu dedo. Quando Jessé olha em seu dedo e vê o anel ele diz a Felipe “na verdade, alcancei a misericórdia e o amor de meu pai, sendo assim, quero aproveitar da ocasião para solicitar de sua parte a aprovação de meu casamento com Telinha.

Entra em cena outro filho pródigo

Prontamente Felipe aceitou. Os servos se esforçaram para que fosse a melhor das festas. No auge da festa, Natan, que a tudo ignorava voltava do campo e ouvia os cânticos. Via a todos felizes, mas ele recusava-se a participar dos festejos. Disseram a Naumin que Natan regressara e estava do lado de fora da casa. Naumin foi até ele e perguntou por que ele não queria entrar na festa. Com o coração cheio de amargura e inveja. Natan também era um filho pródigo.

Estava na casa do pai, de lá nunca saira, mas não sabia o que era o amor, não conhecia o perdão, ignorava a dimensão da graça. Naumin ainda insistia, “venha meu filho, entre e festejemos juntos a volta do teu irmão”. De forma acintosa Natan responde “este teu filho gastou tudo, desperdiçou toda a riqueza que lhe deste e ainda o recebe desta forma?”

Natan já não chamava a Naumin de pai, falando do irmão dizia de forma desprezível “este teu filho”! Natan não conhecia nada de perdão e misericórdia. Desprezava o perdão de um pai. O perdão de alguém que é consangüíneo.

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Amorosamente, Naumin lembra a Natan que na condição de filho tudo o que ele possuía, também pertencia a ele, e poderia este delas desfrutar quando quisesse. Natan foi abalado emocionalmente! Também ele foi resgatado, também ele teve uma vida renovada. Também ele alcançou a graça do Senhor.

Abraçado a Naumin, Natan entra na casa e abraça a Jessé. Ambos choram copiosamente, estavam reconciliados. Ambos estavam reconciliados com o pai. Ambos liberaram o perdão. Ambos renasceram para uma nova vida e perspectivas.

Um estudo diferente sobre a parábola do filho pródigo

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