Templo de Salomão, a meca brasileira

O pastor Edir Macedo, fez o lance mais ousado da sua vida, a construção do Templo de Salomão. O local escolhido para a grandiosa obra foi o bairro paulistano do Brás, um dos maiores centros comerciais da cidade de São Paulo. O empreendimento tem chamado a atenção da mídia pelas características luxuosas do lugar.

A inauguração do espaço contou com a participação de inúmeros famosos e executivos de alto escalão, o que inclui a presidente Dilma e o governador do Estado, Geraldo Alckmin.

O Templo de Salomão trata-se do maior espaço religioso do Brasil, que já recebe o dobro de visitas em relação ao Cristo Redentor, que é um dos principais pontos turísticos do país, além de ser considerado um dos mais importantes da América Latina.

Até o final do mês de agosto, mais de 400 mil visitantes deverão passar pelo Templo de Salomão, que alavancará, como nunca, o turismo religioso no bairro paulistano e engata o mercado da fé.

A média supera os 13 mil visitantes por dia no lugar, que conta com diversos outros centros de religião instalados no Brás.

O Templo de Salomão alterou a rotina do Brás

templo de salomão

Devido a esses acontecimentos, o bairro que antes era mais conhecido pelas vendas no atacado de roupas, calçados e outros artigos, agora investe pesado no mercado da fé, dispondo da abertura de novas lojas voltadas a esse público, além de novos restaurantes que não param de ser instalados. O mercado de vendas do Brás pega carona com o Templo de Salomão, mais do que nunca.

Nos últimos dias foi percebido a maior presença de religiosos pelo Brás. Sendo o número destes considerado maior do que a presença de sacoleiros, que antes predominavam o lugar.  O governo de São Paulo, inclusive, está tendo que tomar medidas de emergência em relação ao trânsito, que tem ficado tumultuado nos arredores do Templo de Edir Macedo.

O bispo, também conhecido pela sua emissora de TV, a Rede Record, está morando com a sua família no local, que dispõe de acomodações finas e elegantes, como uma piscina coberta, cinquenta apartamentos de luxo, um jardim de inverno, entre outros investimentos que o fundador da Igreja Universal achou ‘conveniente’.

Brás, o novo Recanto dos Evangélicos

O comércio de artigos religiosos antes era concentrado única e  exclusivamente na rua Conde de Sarzedas (Centro da capital paulista),  conhecida popularmente como Recanto dos Evangélicos. Com a inauguração do Templo de Salomão, este comércio está se descolocando para o Brás.

Essa nova janela de visitações, que agora assola o famoso bairro paulistano, abriu grandes possibilidades para os comerciantes do bairro paulistano, que devido a essa nova movimentação, investem em negócios relacionados à fé, como a venda de artigos religiosos e outros comércios relacionados a esse segmento.

O bairro conta ainda com outros espaços religiosos em sua região, que junto ao Templo de Salomão, fomentam as filas enormes de religiosos em centros comerciais de diversos segmentos. Não é preciso ser muito visionário para entender que a fé das pessoas está acompanhada de suas necessidades, o que despertou os comerciantes de todos os tipos instalados no Brás.

Com esses novos acontecimentos, é possível notar por lá, cada vez mais, a presença de indivíduos que se aproveitam do momento, o que variam desde cabos eleitorais que apoiam candidatos religiosos ao governo até os vendedores ambulantes, que agora trocam as bugigangas que vendiam antes por produtos que possam atrair os fieis e visitantes do Templo de Salomão, como edições de bíblias mais baratas, panos de prato, camisetas e mais uma série de artefatos ligados à fé das pessoas.

Templo de Salomão, uma nova fase do Brás

Dessa forma, pode-se dizer, seguramente, que o novo templo luxuoso de Edir Macedo inaugura também uma nova fase do Brás. Contradizendo a própria Bíblia, que conta com passagens como “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no céu” e partes que pregam contra a venda de indulgências, além de outros interesses financeiros sobre a religião, o Templo de Salomão se trata, evidentemente, de mais uma amostra do poder monetário, sobretudo, que a Igreja Universal acumula através do pagamento de dízimos e oferta dos seus fieis.

Denúncias sérias foram realizadas contra a construção de Edir, como a acusação de que o templo foi construído no local onde deveria funcionar um campus da Universidade de São Paulo (USP).

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O que fica de tudo isso é o grande ‘obrigado’ que os comerciantes dedicam ao Bispo, pois, o Templo de Salomão evocou a abertura de inúmeras novas empresas, que agora investem em ônibus de passeio turístico para o lugar, livrarias religiosas, restaurantes ao redor do tempo e mais uma série de comércios. A meca brasileira dá espaço para o capitalismo, que agradece e ri de alegria com a supernova chance de lucrar com o mercado da fé.

Templo de Salomão, a meca brasileira

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