Salmos 51, A misericórdia de Deus manifestada

Creio que todos nós já lemos ao menos uma vez o Salmos 51. Nele encontramos conforto, segurança e confiança de nos aproximarmos de Deus. O Salmo foi escrito por Davi, após o caso envolvendo a Bate-Seba. Façamos a leitura mais uma vez dos Salmos 51, aqui encontramos a Teologia do Amor, abaixo, uma síntese exegética.

vv. 1,2 – O pecado. Davi humilha-se perante o Senhor reconhecendo o seu pecado e pedindo para que Deus os apague segundo a Sua grande benignidade e misericórdia.

vv. 3-6 – O Reconhecimento. Davi reconhece a sua natureza pecaminosa e que o seu pecado infringe principalmente o caráter santo de Deus.

vv. 7-12 – A purificação. Davi clama ao Senhor pela purificação dos seus pecados para que ele possa se regozijar no Senhor com um coração puro e um espírito inabalável, sustentado por um espírito voluntário.

vv. 13-17 – A restauração. Davi se propõe a estar sendo usado pelo Senhor para estar proclamando as Sua glória aos que não o conhecem, e assim estar se oferecendo como um sacrifício quebrantado ao Senhor.

vv. 18,19 – A benção. Deus em sua soberania e fidelidade às alianças feitas com seu povo se mantém como um Deus imutável na concessão das bênçãos a este povo.

Salmos 51, a administração dos propósitos de Deus

salmos 51

O Salmo 51 apresenta brandamente as quatro linhas de ação divina. Deus se utiliza destes propósitos a fim de restaurar a sua soberania mediada mesmo num momento delicado como o dos pecados do rei Davi. Estas quatro linhas também podem ser encontradas e reforçadas através da análise do contexto histórico que se encontra em 2 Samuel 11-13.

1- O decreto de permitir o mal

O pecado a que Davi está se referindo neste trecho diz respeito aos pecados relatados em 2 Samuel 11, onde ele adultera com Bate-Seba e manda assassinar Urias, o heteu. Deus poderia ter intervindo nos acontecimentos, evitando assim tamanha desgraça, porém optou por o não fazer.

2- A promessa de julgar o mal

Como conseqüência dos pecados de Davi, Deus em Seu caráter santo executa o juízo na vida dele. Isto se pode constatar mediante a afirmação que o próprio Davi faz no v. 8: “Faz-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste.” Os pecados de Davi estavam fazendo com que ele se consumisse com o passar do tempo ao ponto de já estar sentindo falta do próprio vigor.

O contexto de 2 Samuel 12,13 e 16 relata algumas conseqüências do pecado de Davi, como por exemplo: a morte do filho dele com Bate-Seba. O incesto de Amnom, filho de Davi, com sua irmã Tamar. O assassinato de Amnom por seu irmão Absalão e as muitas relações sexuais de Absalão com as concubinas de Davi.

3- Libertação do juízo para os eleitos

A maneira que o povo vétero-testamentário se utilizava para fazer a expiação dos seus pecados era através das ofertas, sacrifícios e holocaustos queimados ao Senhor. Porém Davi aqui apresenta uma nova metodologia a fim de agradar e se oferecer ao Senhor que são: o oferecimento de um espírito quebrantado e um coração compungido e contrito a Ele (v. 17).

Segundo as leis judaicas instituídas pelo Senhor, aquele que cometesse adultério com a mulher de outrem certamente morreria, tanto ele quanto ela (Lv 20.10), sendo que no caso de Davi o Senhor o privou de tamanha condenação.

Outra maneira que Deus utiliza a fim de libertar Davi das condenações de seu pecado foi que Deus em sua muita misericórdia unge a Salomão, filho de Davi, como rei e sucessor de seu pai no reinado, resgatando assim a dignidade real da linhagem de Davi, e a vontade da construção do templo do Senhor.

4- O decreto de abençoar os eleitos

A maneira que Deus utilizou para abençoar Davi foi a restauração da sua vida e também do seu reinado, bem como o privilégio de fazer parte de sua linhagem o maior rei de todos os tempos, Jesus Cristo, o filho de Davi.

Paulo Sérgio Lários

Paulo Sérgio é Presbitero, tecnico de informática e escritor

Salmos 51, A misericórdia de Deus manifestada

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