Quais foram as mulheres estéreis da Bíblia

As Sagradas Escrituras relatam sete mulheres estéreis. Em cada um dos relatos, há uma lição importante, uma revelação de Deus. Há uma oitava mulher que se tornou estéril devido a uma punição direta de Deus (Mical, filha do rei Saul e mulher de Davi). Feito este prologo, te convido a conhecer as sete mulheres estéreis da Bíblia e saber em detalhes porque Mical foi punida por Deus.

Uma coisa que angustiava muito as famílias do Antigo Testamento, mas principalmente as mulheres, era a incapacidade de gerar filhos. A mulher que não gerava filhos era chamada de “galhos secos”, isto é, pela incapacidade de gerar filhos, havia a perspectiva de um futuro sem produtividade, um futuro sem frutos no casamento.

Quando Deus criou a Adão e Eva deu-lhes uma missão importante (Gn 1. 28). Analisando o versículo, notamos que há 03 ordenanças  “Sejam férteis… multipliquem-se… dominem…” Através destas ordenanças, o casal recebeu a função de continuar a criação e zelar por ela. Ocorre, que no meio do caminho o pecado trouxe alterações no plano original de Deus.

Com a ruptura do plano de Deus veio as consequências. A mulher passou a ter sofrimento na gravidez, ao passo que o homem passou a ter sofrimento no cuidado da terra (Gn 3. 16-19). A mulher fértil era considerada uma benção, enquanto a estéril era vista como amaldiçoada.

A esterilidade era a prova da incompetência de ser frutífera, portanto abençoada. A esterilidade demonstrava que existia algum problema. Esses casos de esterilidade não estão à toa na Bíblia. Aprendemos muito com cada um deles.

Sendo considerada como um “ramo seco”, a mulher estéril era frequentemente rejeitada, banida ou então vista como uma nulidade. Uma família numerosa, com muitos filhos era considerada uma grande alegria e fonte de bençãos. Sl 127

As mulheres estéreis da Bíblia

1-Sara – A reafirmação da promessa

O primeiro caso registrado na Bíblia é o de Sara, mulher do patriarca Abraão, conforme Gênesis 16. Deus prometera a Abraão que este teria um filho e quando Abraão e Sara tinham 75 e 65 anos respectivamente, três anjos, que entendemos ter sido a Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, os visitaram e prometeram que ela teria um filho. Ainda assim a demora foi de 25 anos, o que vem reafirmar o poder de Deus em ação.

Neste caso, Deus fez questão de mostrar sua soberania e poder, ao permitir que uma mulher não apenas estéril, mas com noventa anos de idade concebesse. Seu filho chamou-se Isaque, que significa riso.

2- Rebeca – O poder da oração em ação

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Na imagem, Rebeca da de beber ao Damasceno Eliezer, mordomo de Abraão

Isaque orou e sua esposa Rebeca ficou grávida não de um, mas de dois filhos: Esaú e Jacó. Gn 25. 19-27. A esposa de Isaque era estéril e recebeu a benção da fertilidade quando seu marido orou por ela. Vemos aqui o poder da oração em ação.

3- Raquel, profetizando desgraças

Em Gênesis 29, lemos que após muito esforço, Jacó conquistou Raquel, porém, ela passava pelo mesmo problema de sua sogra Rebeca, que por sua vez também enfrentou as mesmas dificuldades que sua sogra Sara. Era estéril! E assim como Sara, viu o marido engravidando outras mulheres, porém nada acontecia com ela. Lia, irmã da própria Raquel e também esposa de Jacó, teve vários filhos com seu marido. Por fim, Raquel foi mãe de José e de Benjamim.

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Raquel, a pastora

O caso de Raquel é bastante peculiar, onde lemos a partir de Gênesis 29. Enganado por Labão, Jacó trabalhou durante sete anos por Raquel, mas Labão, o pai dela, lhe deu Lia, dizendo que ela era a mais velha e era esse o costume local. Embriagado, Jacó dormiu com ela e assim consumou o casamento, não a podendo devolver.

Em Gênesis 29. 21 lemos: “Quando o Senhor viu que Lia era desprezada, concedeu-lhe filhos; Raquel porém era estéril.” Deus honrou a Lia e ela era agradecida por isso, conforme vamos lendo os versos seguintes. Mas lemos de Raquel algo não tão bom, Raquel tinha inveja da irmã que tinha filhos e ela não.

Sabemos que a inveja é um sentimento muito ruim. Raquel profetizou a sua desgraça: “Dá-me filhos, senão morrerei.” Deus deu filhos a ela, mas ela morreu no pós parto. A lição que tiramos daqui é a honra que Deus deu a Lia e ela sabia disso e foi agradecida por isso. Lia sabia o marido amava a sua irmã, mais do que a ela.

Acredito piamente que Lia sempre foi a melhor das esposas e a melhor das mães, sabendo que não merecia o marido que tinha e nem os filhos que não poderia ter gerado se não fosse por intervenção divina direta. Lia era extremamente agradecida a Deus. Com a morte de Raquel ela acabou sendo a esposa legitima de Jacó. Parece até que o plano de Deus sempre foi dar Lia para Jacó e não Raquel. Porém através de Raquel é que veio Lia.

Lia nos fala sobre a benção indireta. Imaginamos e queremos a benção de um jeito, mas Deus que sabe tudo vai nos dar a benção que precisamos, do jeito dele. Se não chegou ainda a benção, ou se ela está chegando de um jeito que você não está entendendo, não se preocupe, Deus está no controle.

4- A mãe de Sansão – Deus se agrada do humilde

A Bíblia não informa o nome da mãe de Sansão, mas apenas nos diz que era a esposa de Manoá, e que era estéril. Certo dia, ela estava sozinha quando o Anjo do Senhor anunciou a ela que teria um filho, e lhe deu três regras para consagração do menino, pois o fruto do seu ventre seria usado por Deus para libertar os israelitas da opressão dos povos dominadores, em especial os filisteus.

Sansão, educado e criado pela mãe conforme especificações do Anjo, tornou-se o mais forte guerreiro da Bíblia. Ele libertou os israelitas das mãos de seus inimigos, na força do Senhor.

A Bíblia nem se preocupa em dar o nome da mãe de Sansão, que é para mostrar mesmo, que os casos da Bíblia são exemplos para nós. Ser estéril naqueles dias era sinônimo de estar em pecado. Por saber disso a esposa de Manoá chegava-se mais ao Senhor.

Um anjo apareceu a ela e dizendo que Deus sabia que ela era estéril e lhe disse que ela iria ficar grávida, mas não devia beber e nem comer algo impuro. A terceira coisa que o anjo falou é que não haveria de ser cortado o cabelo da criança. Vemos que de três, duas coisas era ela que deveria fazer. A mãe de Sansão era uma mulher humilde e obediente.

A lição que tiramos daqui é justamente isso. O anjo que lhe apareceu, na sua primeira fala atestou o seu problema, ela era estéril, não fértil. Talvez outros a vissem como estando em pecado escondido, porém sabemos que Deus se agrada do humilde e tem prazer no que é obediente.

5- Ana, a agradecida

O caso de Ana está relatado em 1 Samuel 1. Um homem de Ramataim chamado Elcana tinha duas mulheres. Uma chamada Ana e outra chamada Penina. A segunda tinha filhos normalmente, porém Ana tinha dificuldades, sendo estéril. Certo dia Ana estava orando e suplicando perante o Senhor no Templo e o sacerdote pensou que ela estivesse embriagada, repreendendo-a, percebendo que ela estava aflita por ser estéril, profetizou que ela daria um filho. Agradecida Ana prometeu que o filho estaria no serviço do Senhor, integralmente.

Samuel fora criado no Templo, mas sempre com a supervisão da mãe, tornando-se um dos maiores profetas de Israel. Além de outros feitos ungiu a dois reis e instituiu escolas em todo Israel.

Além do óbvio, que é o fato de Ana orar, do sacerdote profetizar, confirmando a sua oração, Ana dedica o fruto da sua oração, quando for respondida ao próprio Deus. Isso é interessantíssimo. A Bíblia nos diz que não somos respondidos por orarmos mal, para os nossos deleites e Deus não responde a isso. O que Ana pedia era para ser dedicado a Deus. Será que o que estamos pedindo pode ser entregue para Deus?

6- A mulher sunamita, mantendo viva a esperança

Uma das histórias mais comoventes é sobre a mulher sunamita, seu nome é omitido, mas menciona que ela era rica e não tinha filhos, sendo o seu marido velho. Ela teve prazer em aplicar o seu dinheiro para sustentar o profeta Eliseu e chegou a construir instalações novas para ele.

Ela não pediu mas o profeta percebeu sua necessidade e realizou o milagre. “E ele disse: Por volta desta época, no ano que vem, você estará com um filho nos braços”. (2 Reis 4. 16) Algum tempo depois do nascimento, o menino estava no campo com seu pai, passou mal e morreu. E a mulher sunamita, pode receber o segundo milagre do Senhor em sua vida, quando o profeta ressuscitou seu filho. 2 Reis 4. 35-37

A sunamita teve algumas falas inesquecíveis. Quando Eliseu lhe dissera que ela ficaria grávida, ela lhe disse: “Não, meu Senhor. Não iluda à tua serva, ó homem de Deus!” (2 Reis 4. 15). Essa fala nos mostra a pessoa que já ouviu tantas promessas e desconfia de certas afirmativas. A questão não é que eu não acredito, mas é que eu prefiro não acreditar, do que ser iludida novamente.

Um dia o garoto morreu, a sunamita foi de encontro ao profeta e perguntada por Geazi, o aprendiz do profeta, lhe disse que tudo estava bem. Vai bem contigo, no que respondeu a mulher a Geazi: Sim vai bem comigo.

Aqui a lição é que nós não devemos ficar expondo os nosso problemas para qualquer um, mas unicamente para quem pode resolver o nosso problema. É lógico que não estava nada bem, o filho dela acabara de morrer e ela estava procurando o profeta. E qual era mesmo a idéia de se procurar o profeta numa situação dessas?

Eliseu também teve uma das falas mais impressionantes da Bíblia: “Ao encontrar o homem de Deus no monte, ela se abraçou aos seus pés. Geazi veio para afastá-la, mas o homem de Deus lhe disse: “Deixe-a em paz! Ela está muito angustiada, mas o Senhor nada me revelou e escondeu de mim a razão de sua angústia”.”

Deus nada falara do ocorrido com o profeta. “E disse a mulher: “Acaso eu te pedi um filho, meu senhor? Não te disse para não me dar falsas esperanças?” (2 Reis 4. 27,28). Quando ela disse isso o profeta soube que algo estava errado, e ai Deus revelou o que ele deveria fazer. O menino foi ressuscitado e quando Eliseu lhe entregou o filho a mulher num gesto muito lindo, ajoelhou-se, em sinal de submissão a Deus.

7- Isabel, Deus responde a quem lhe é fiel

O sétimo caso de uma mulher estéril na Bíblia é o de Isabel. Parece que essa foi a primeira promessa após 400 anos em silêncio, entre o Antigo e o Novo Testamento. Isabel foi mãe de João Batista. A história de Isabel muito se assemelha ao caso da mãe de Sansão, pois o anjo que lhe apareceu, disse a Isabel que ela não poderia beber vinho e nem bebida fermentada. Isabel ainda nos remonta a Sara, pois era de idade avançada e o seu marido também.

O que aprendemos com esse milagre? As falas que denunciam a lição que devemos aprender é que o anjo disse que Deus ouviu a oração de Zacarias, pela sua mulher estéril e a fala da própria isabel, que diz, ainda em Lucas 1: “Isto é obra do Senhor” Agora ele olhou para mim favoravelmente, para desfazer a minha humilhação perante o povo.”

Lucas nos demonstra que tanto Zacarias, quanto sua esposa eram fiéis a Deus e Deus responde a quem lhe é fiel, de forma favorável. A outra lição é que Deus tira a humilhação do meio do seu povo, daqueles que o buscam. O que nos tem humilhado? O que nos tem abatido? O que é que tem poder de nos tirar da presença de Deus?

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Mical, a bela filha do rei Saul e mulher de Davi. Créditos da imagem. Rede Record – Rei Davi

8- Mical, estéril por causa de uma punição direta de Deus

Mical, filha de Saul, e a primeira esposa de Davi. Ela criticou e desprezou a Davi, chamando-o de “homem vulgar” por dançar e celebrar ao Senhor pelo resgate da Arca, e recebeu, como castigo, a esterilidade. Entendemos do texto que a amargura está ligada a esterilidade.

Mical tanto amou intensamente a Davi quanto o desprezou. Suas ações anteriores em defesa de Davi, ficaram em segundo plano quando ela desprezou a Davi e queixou-se que o rei se misturava com o povo.

A punição que ela recebeu era muito forte, pois passaria a ser vista como uma mulher amaldiçoada. Mical amou a Davi intensamente, mas com o passar do tempo a relação esfriou. Agora, Mical o desprezava e estando na janela viu a Davi pulando e dançando entre o povo. Ela o censurou.

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Pelo dialogo entre os dois, parece que esta amargura provinha do fato de que quem reinava agora era Davi, e não Saul, o pai de Mical. Este é o único caso, relatado na Bíblia, de uma mulher que se tornou estéril por causa de uma punição direta de Deus. “E até o dia de sua morte, Mical, filha de Saul, jamais teve filhos.” 2 Sm 6

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