Pedro, você me ama?

Estive analisando a passagem do evangelho de João 21. 14-17, essa Palavra, muito falou comigo e quero repartir algo que entendi, e que creio que me foi uma revelação do Espírito Santo. A referencia de Jesus ter perguntado por três vezes se Pedro o amava, nos remete direto ao momento do primeiro julgamento, de Jesus na casa de Anás. Vamos recordar: Jesus estava no Getsemani e foi preso e levado pelo sumo sacerdote Caifás.

Esta foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois que ressuscitou dos mortos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, você me ama realmente mais do que estes? ” Disse ele: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse Jesus: “Cuide dos meus cordeiros”.

Novamente Jesus disse: “Simão, filho de João, você realmente me ama?” Ele respondeu: “Sim, Senhor tu sabes que te amo”. Disse Jesus: “Pastoreie as minhas ovelhas”. Pela terceira vez, ele lhe disse: “Simão, filho de João, você me ama? ” João 21. 14-17

Anás foi sumo sacerdote entre 7 e 14 d. C. Em 25 D. C. Caifás, que casara com a filha de Anás (Jo 18. 13), foi elevado àquele cargo público e, provavelmente Anás terá sido eleito presidente do Sinédrio, ou procurador, ou coadjutor do sumo sacerdote e era, deste modo, também chamado sumo sacerdote, juntamente com Caifás. Lc 3. 2

De acordo com a lei mosaica, o sumo sacerdócio era um posto vitalício (Ne 3. 10) e embora Anás tivesse sido deposto pelo procurador romano, os judeus viam-no legalmente ainda como o sumo sacerdote. O Nosso Senhor foi levado primeiro perante Anás e, após um breve interrogatório (Jo 18. 19-23), foi enviado a Caifás, quando alguns membros do Sinédrio se juntaram para o julgarem pela primeira vez. Mt 26. 57-68

O interrogatório de Jesus na casa de Anás

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Jesus na coorte de Pilatos

Este interrogatório de Jesus perante Anás só é registrado por João. Anás era o presidente do Sinédrio perante o qual Pedro e João foram também trazidos (At 4. 6). Caifás levou Jesus à casa de Anás para ser interrogado de madrugada, horário impróprio e ilegal. De manhã, lá pelas seis horas, os principais de Israel fizeram um concilio para decidirem matar a Jesus, isso já estava decidido mesmo antes dele ser preso.

Depois desse conselho levaram Jesus até Poncio Pilatos, o líder romano; dai foi levado a Herodes que o mandou de volta para Pilatos que o mandou crucificar. Os judeus poderiam matar a Jesus a pedradas, mas não foi isso profetizado e eles não o fizeram. Pilatos não encontrou nada em Jesus que o mandou a Herodes, que o mandou de volta para Pilatos.

Muita coisa chama a atenção nesse julgamento de Jesus, mas uma parece se destacar. Todo mundo queria matar a Jesus, ou alguns não ligavam se ele vivia ou não, como Herodes e Pilatos. E a respeito de Pilatos, Jesus foi conduzido primeiro a Pilatos e Pilatos o mandou a Herodes que o mandou de volta.

Na primeira vez que Jesus esteve em audiência com Pilatos, ele diz que não viu mal algum em Jesus e o declara inocente. Qualquer juiz correto o teria soltado imediatamente, mas Pilatos não o fez, passando a bola para o outro. Era uma bomba o julgamento de Jesus.

Era evidente, e ele o mandou para Herodes para que esse se virasse pra lá. Ai Jesus voltou e ele teve que julga-lo agora com a pena de morte. Pilatos lavou as mãos numa atitude covardeCovardia que custou à vida de um inocente. Mas sabemos que isso ocorreu assim para que se cumprissem as Escrituras.

Vamos voltar para Pedro

Do jardim do Getsemani, Jesus foi conduzido à casa de Anás. Jesus tinha profetizado que Pedro o negaria três vezes naquela noite e no pátio da casa de Anás Pedro o negou. Após ser ressuscitado Jesus teve um encontro com Pedro e trata esse assunto, perguntando três vezes se Pedro o amava.

Essas perguntas de Jesus liberavam uma afirmação de Pedro, a renovação do pacto com Jesus, com Deus e provava ao mundo espiritual que Pedro amava a Jesus e que era um verdadeiro seguidor dele. O que nos interessa nessa Palavra é que Jesus perguntou a Pedro por três vezes se ele o amava, significando que Jesus assim quebrava os poderes espirituais na palavra de morte liberada pelo próprio Pedro. Havia mágoas em Pedro não curadas na qual os demônios, queriam usar contra Pedro.

Na nossa vida não é diferente. Quantas vezes nós já negamos a Jesus com atos, com atitudes, com maneiras, com falas, com pensamentos, com desprezo, com descaso, com displicência, não dando a devida importância? Quantas vezes nós proferimos palavras que foram liberadas no mundo espiritual, palavras de morte, palavras fortes de raiva, de ódio, de descaso, palavras malignas, palavras contra alguém ou nós mesmos?

Quantas vezes duvidamos de Deus e até orando, nós duvidamos na face de Deus, que ele tinha poder ou queria fazer algo por nós. Quantas vezes nos achegamos a Deus com raiva, com ódio disfarçado, com falta de fé, com duvidas, decepcionados com Deus? Quantas vezes, em pecado exigimos algo de Deus? Quantas vezes pedimos prosperidade sem dar o dizimo e as ofertas? Quantas vezes andamos o contrário de tudo o que estamos aprendendo no evangelho e ainda culpamos a Deus?

Jesus te faz a mesma pergunta – Você me ama?

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Pedro, você me ama? – Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo

Pedro, você me ama? João, Maria, José, Adailton, Lucas, você me ama? A pergunta de Jesus feita a Pedro é feita todos nós. Todos nós já negamos a Jesus. Mas quantas vezes o negamos: Três? Quatro? Dez?

Quantas forem as nossas afirmações positivas a Jesus, tantas são as liberações ou anulamentos espirituais. Pedro, você me ama? Sim Senhor, eu te amo, amo, amo! Te amo tantas forem às vezes em que duvidei, tantas foram às vezes em que pequei, tantas forem às vezes em que tive atitudes de quem não ama, sim eu te amo.

Anula então, Senhor, no mundo espiritual, as minhas palavras de morte, de duvida, meus atos e consequências que geram desgraça, infortúnio. Eu libero o perdão para aquela pessoa que me quis mal. Eu a perdôo, para que também possa ser perdoado.

Eu anulo toda palavra de morte que disse contra a minha esposa, minha família, meus amigos e até contra meus inimigos. Anulo toda palavra de morte de duvida, de descrença que liberei contra minha pessoa. Todas as vezes que duvidei que era um cristão verdadeiro, um pai exemplar, um bom marido, um bom trabalhador.

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Senhor eu anulo o que eu disse, pois essa liberação de Pedro, era de Pedro e não de Jesus. A minha liberação é minha e não de Jesus. Quem precisa afirmar que ama a Jesus, sou eu.

Quem precisa renovar o pacto, sou eu. Quem precisa ir de encontro aos braços do Pai, sou eu. Sim Senhor, se o Senhor aceitar, eu te amo, sim! E que Deus libere a sua vida para as verdades espirituais dEle em você e para você. 

Paulo Sérgio Lários

Paulo Sérgio é Presbitero, tecnico de informática e escritor

Pedro, você me ama?

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