O pastor e a rejeição ministerial (estudos para liderança)

A rejeição é um sentimento, uma emoção, portanto objeto da psicanálise, que nos fala sobre a dor psíquica de ser rejeitado, recusado, preterido ou abandonado, o que fere profundamente a vaidade humana, magoa o seu narcisismo e frustra a sua fantasia de que “como alguém pode não gostar de mim?”, ou seja destrói a fantasia arrogante de ser querido acima de tudo e todos. Conforme diz Carlos A. Vieira, médico, psicanalista da Soc. de Psicanálise de Brasilia e membro da FEBRAPSI-IPA-London.

Vê-se de cara que a rejeição que é um sentimento psíquico, quer dizer, mora na nossa mente, nos nossos sentimentos, tem dois lados claros: Um deles é a dor do desprezo, do abandono, da traição, de ser preterido – o que quer dizer que escolheram outro (a) em seu lugar, ao invés de você.

O outro ponto da rejeição tem muito a ver com o nosso sentimento de aceitação absoluta: só eu sou o bom, só eu sei pregar, eu sou o único que sobrou em Israel. Portanto a rejeição é com certeza é algo que Deus vá usar para nos abençoar, principalmente aqueles que se acham maiores do que os outros.

O necessário espinho na carne

Paulo nos relata que tinha um espinho na carne, que nós não sabemos qual era. O consenso geral e mais básico é que Paulo tinha uma doença. Paulo orou para que esse mal saísse dele, e Deus o revelou que a doença estava ali para que ele não se ensoberbecesse, não achasse que era o tal, o bom, o único em Israel, como o profeta Elias, que depois de enfrentar os Profetas de Baal nunca mais se levantou.

Existem pessoas que Deus precisa colocar no lugar, de qualquer jeito. Vejo todos os dias gente tentando ter a Glória de Deus para si. Pastores que são incensados, a puxação de saco com os pastores, os pastores que se deixam ser louvados. A Bíblia tem uma advertência perigosa: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura.” Is 42. 8

A glória de Deus não será dividida com ninguém. Seria bom atentarmos mais a respeito disso, pois as pessoas acabam com seus ministérios antes de começar, por absoluta falta de humildade. Ai Deus manda os tais espinhos na carne, e o cara não quer aceitar que o problema é ele mesmo.

O primeiro motivo de rejeição a ser tratado então, pelo próprio Deus, é o narcisismo da pessoa. Isso explica muitas obras que são feitas debaixo de extrema perseguição ou problemas os mais variados. O espinho na carne é pra doer e lembrar que as grandes revelações e o grande ministério que Deus te deu é pra você cuidar com zelo e com muito cuidado. Se faltar humildade e reconhecimento que o ministério é de Deus e foi Deus quem o deu, então está garantido o seu espinho futuramente.

A rejeição é como uma dor física

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Deus usa a rejeição para humilhar os pouco humildes. A rejeição é um sentimento tremendo. O psicanalista Carlos A. Vieira diz que a sensação é como a da dor física. A nossa vaidade, principalmente dos pastores que estão se sobressaindo, precisa ser tratada e Deus usa meios dolorosos e lições difíceis e inesquecíveis, algumas vezes.

A Glória que pertence a Deus pode ser motivo da falência do ministério de alguém. E te digo mais: Deus está preocupado, sinceramente, mais com a pessoa do que com o ministério da mesma. Se para salvar um pastor ele precise tirar o pastor do cargo, saiba que ele o fará.

O pastor Caio Fabio diz que um pastor para ser pastor, precisa ser livre do pastorado. Como é isso? Simples! O Pastor precisa entender que ser pastor é um cargo eclesiástico e mais, no Ministério Quíntuplo beira o ultimo cargo.

As qualificações ministeriais

Ao estudarmos as qualificações de cada cargo, descobrimos de cara que o pastorado beira o ultimo cargo e depois vem os pregadores. Ou seja, o pastor é um pregador avançado. “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres”. Ef. 4. 11

Tem pastor se achando a ultima bolacha do pacote e nem é tudo isso. Desculpe-me falar assim irmão, mas se você veio até aqui é porque precisa ser tratado. E se nós nos deixarmos tratar por Deus, então não precisaremos de espinhos na carne, ou de mensageiros de Satanás no nosso pescoço.

Por outro lado essa lista mostra também que o cargo de pastor não é o final da sua carreira, mas uma etapa. Tem mais a conquistar, não pare no pastorado, vá além. Seja líder de pastores, pense grande, sonhe alto. Seja ensinador. Seja relevante ao nosso tempo, à nossa época.

Pastor, pense fora do seu púlpito

Uma grande benção que pode ser um grande problema é que os pastores amam o púlpito e não conseguem se afastar dele. Tem pastor que não consegue pensar fora do púlpito. Hoje em dia algumas facilidades permitem abrir quantas Igrejas você conseguir. Vejo por outro lado pastores lideres de outros pastores que agem como se não fossem lideres.

Um líder – imagino eu – com muitas congregações deveria gastar tempo em visitar suas congregações de vez em quando e não ficar parado na sua, esperando que as pessoas venham até ele. Pense fora do seu púlpito, pense nos outros púlpitos.

A Bispa Sonia da Renascer prega em dias específicos na sua Igreja, a que ela gosta mais, a mais perto de casa, na Vila Mariana, mas ela usa os outros dias para visitar as suas outras congregações e ministrar nelas. A mesma coisa faz o pastor R. R. Soares, ele prega na sede em São Paulo, ou na sede no Rio de Janeiro em dias específicos e no restante do tempo ele fica viajando pelo Brasil e até fora, nas outras suas igrejas.

Fico admirado com pastores de Igrejas com muitas congregações, na qual não pregam esporadicamente nas suas outras Igrejas. Os pastores deveriam estar correndo o trecho – num linguajar bastante antigo – e não ficar esperando a coisa acontecer.

Ou você é pastor de pastores ou você não é

Isso precisa ficar bem claro pra muita gente. Ou você é pastor de pastores ou então você não é, e age como quem não fosse. Quem é, é, e quem não é não leva jeito.

O problema é soltar o osso, não é mesmo? Como deixar o “meu púlpito” para outro? Se você deixar o “seu púlpito” e começar a pensar nos “seus” outros púlpitos, talvez a coisa ande melhor. Quer um exemplo de um pastor que corria o trecho? O Apóstolo Paulo.

Ele fundava uma Igreja, ganhava almas, doutrinava os caras e levantava pastores e depois partia para outra cidade e repetia o mesmo. Depois de algum tempo Paulo retornava para ver como a Igreja que ele levantou estava.

Pastores, facilite o seu trabalho

Como um único exemplo bem bobo, o Facebook, por exemplo, pode ser uma ferramenta muito boa. A Renascer tem campanhas repetidas em suas outras congregações, todas elas, é só ver o site deles. Existe um estudo que serve como folha de rosto e que deverá ser o pregado em todas as suas outras congregações. Por que isso? Com o tempo, se não houver uma uniformização, um ministério com muitas igrejas estará falando línguas diferentes.

Um pastor de pastores deveria estar preocupado em ministrar os outros pastores e não em pregar todo dia, e às vezes mais de um vez por dia. Esse não aprendeu ainda a soltar o osso.

Eu já falei isso e vou repetir: na empresa onde trabalho tenho chefe, diretores e diretores de diretores. Algumas vezes o chefe age como o subordinado. Muitas vezes o meu chefe está fazendo o meu serviço e eu acabo não fazendo nada. Vejo diretores carregando caixas e agindo como chefes, quando não estão agindo como subordinados.

O que o cara não entendeu é que a empresa o alçou a diretor para que ele pensasse como diretor e não como chefe, ou pior, como subordinado. Um diretor deve levar idéias ao Diretor Geral, ou aos Diretores de Diretores. Tem Pastor de pastores carregando caixa – você entende o que estou dizendo?

A congregação está vendo isso e sabendo discernir muito bem. O povo é inteligente. Talvez Deus esteja dizendo a alguém: “Ô cara, sobe mais um degrau, presta atenção!” e o camarada não quer soltar seu púlpito de jeito nenhum. Ta amarrado ai é? Pense igual a Paulo, cresça infeliz 🙂

Rejeição à palavra do pregador

Vê-se que os motivos da rejeição passam por locais não pensados por nós. Mas o mais básico da rejeição é aquele mesmo de dor, de tratamento, de problemática. São muitos os motivos de rejeição e suas possíveis soluções. Essa é uma rejeição das mais comuns e todo pregador sente isso em algum momento.

Sempre haverá alguém melhor do que nós. Sempre haverá alguém mais profundo e com uma eloquência melhor. Sempre haverá alguém mais cheio do Espírito. Sempre. Entretanto é bastante duro ouvir de suas ovelhas que a mensagem foi fraca, ou ruim mesmo.

Eu já ouvi isso e adquiri algumas armas sobre o assunto. Se a Igreja onde estou prega o Velho Testamento, eu vou pregar o Novo. Se a Igreja prega doutrinas eu prego alegorias. Prega-se o texto direto, eu prego o livro todo. Dá trabalho? Lógico. Mas dá resultados imediatos.

Rejeição à pessoa do obreiro

Existem obreiros carismáticos e outros nem tanto. As pessoas não deveriam rejeitar a pessoa do obreiro, mas algumas vezes o fazem. Devemos entender que quem nos chamou não foram as ovelhas e que o evangelho é pregado para quem não quer saber do evangelho.

As pessoas querem oba-oba e não deveríamos dar isso pra elas e sim Bíblia. Eu sempre digo que é pra se desconfiar de um pregador que só prega benção, ou que só prega maldição. As duas coisas são extremas  e fazem parte de um todo. O obreiro tem que pregar a palavra de Deus e pronto.

Pra isso o pastor, ou pregador, deve gastar tempo com Deus,  orar, ler e entender a Bíblia. Tem gente falando o que não sabe. A gente escuta uma bobeirada no culto todo dia que é de dar dó.

Rejeição à palavra de Deus

Imaginamos algumas vezes que as pessoas estão rejeitando a nossa Palavra, mas na verdade elas estão rejeitando é a Palavra de Deus. Não se engane. Não deveremos ficar tristes quando percebermos isso. A Palavra de Deus serve pra duas coisas e continua servindo: uma é para salvação, aos que a aceitarem e andarem por ela; a outra é que ela serve de condenação, para os que não a aceitarem e nem quiserem andar por ela.

Eu já preguei em alguns lugares e sai muito triste dali, pois não aceitaram a Palavra que levei, apesar de que orei, jejuei, estudei durante dias e aguardei em Deus a confirmação se era aquilo mesmo que deveria levar para aquela igreja e ainda assim rejeitaram, não ouviram, não quiseram ouvir a Palavra; a aceitação dela foi muito ruim.

Lembro-me que certa vez estava indo embora e nem tinha saído da igreja ainda e Deus me falava que não fora a mim que eles não aceitaram, mas a Ele, Deus e a Sua Palavra e que aquela igreja se pôs sobre o Juízo de Deus. Que medo hein?

Não dá pra agradar o tempo todo

Não dá para agradar o tempo todo a todo mundo. Jesus veio com um objetivo de Deus para o seu Ministério, que era pregar e ensinar sobre o Reino de Deus. Jesus obedeceu a sua meta e fez isso até o fim. O que precisamos, a principio, como obreiros, é saber em Deus qual é o nosso ministério.

O que Deus quer com você? Eu quando aceitei Jesus fiquei muito balançado por dois ministérios, o da Palavra e o da musica. Um dia Deus me pressionou e me mandou escolher, pois os dois ocupavam muito tempo para se concretizar. Eu acabei entendendo que deveria escolher o da Palavra.

Eu queria tocar saxofone…

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Mas, o que fez Deus? Simples não deixou que eu aprendesse saxofone

É lógico que Deus me ajudou a escolher: eu queria comprar um saxofone e fiquei desempregado; ai o musico que era meu amigo se mudou e não deu pra seguir sem instrumento e sem o professor. Deus me ajudou a escolher. Se foi Deus quem nos levantou para a sua obra, não deveríamos ficar preocupados se estão nos aceitando, ou não.

Se estou pregando é porque Deus está deixando, é o meu pensamento, se não estou é porque Deus tem seus objetivos e eu nem preciso saber quais são. Ele é o chefe e acabou.

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Siga os objetivos de Deus e não se preocupe com as rejeições ministeriais. Mas não deixe de orar e entregar o seu problema a Deus. Até o que é ruim Deus usa para nos abençoar. Ser rejeitado de vez em quando, ou ser puxada a nossa orelhinha de Dumbo, de vez em quando tem a ver com o espinhozinho na carne, para não se achar a ultima bolacha do pacote. Que Deus tenha misericórdia de nós, é a minha oração.

Paulo Sérgio Lários

Paulo Sérgio é Presbitero, tecnico de informática e escritor

O pastor e a rejeição ministerial (estudos para liderança)

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