O cristão e as manifestações

Estamos vivendo momentos únicos em nossa geração. O país se manifesta em prol de melhorias que sabe quais são, mas não sabe como fazer acontecer. É interessante que já deixou claro o seu repudio por partidos políticos, a ponto de sugerir um Estado sem partido político. O mínimo que aprendemos de política ou sociologia, nos diz que um país sem partidos políticos é uma anarquia, sinônimo de bagunça.

O Brasil se manifesta, numa revolta social, na qual manda um recado direto aos nossos governantes, que queremos mudanças imediatas e firmes. Estabelecidas, e não provisórias. Essas manifestações têm se mostrado como um ato social louvável e democrático, num estado de direito, apartidário.

O Brasil cansou com um monte de fatores que todos nós brasileiros já sabemos e estamos vivendo na pele faz tempo. Algumas declarações ditas por manifestantes estudantes não conseguem ir à raiz da crise, que é a falta de comida no prato.

Os gastos não param de subir. O assalariado não consegue suprir suas necessidades. A conta que o próprio governo faz, deve englobar alimentação, moradia, calçados, educação, livros, remédios, lazer e até um restaurantezinho e um cineminha de vez em quando. Mas os dados que vimos no inicio de junho diziam que o salário médio do trabalhador brasileiro é de R$ 1.000,00.

Falta organização nas manifestações

manifestações

Digam o que quiserem dizer, mas está faltando é dinheiro no bolso do povo. É alarmante e excruciante ver o filho pedir pão e você não ter pra dar. Na escola da minha filha menor já foi ensinado aos alunos a respeitar o coleguinha que pode não ter outra refeição a não ser a dada pela escola. A cada dia o trabalhador comum, assalariado, além de não conseguir melhores salários, vê sua geladeira esvaziar a olhos vistos e nada pode fazer.

O brasileiro é gente honesta, mas ver numa loja da vida um tênis de R$ 1.000,00, ser vendido numa periferia da vida, faz criar bichos na cabeça e alguns de mente fraca imaginam que podem fazer o que não é licito. Tomar o que é do outro, sem pedir, escondido ou na marra é roubo, e quem rouba é ladrão e merece a cadeia.

Essas manifestações estão adquirindo um rumo inusitado. A turba se diz sem partido e queima bandeira do PT em praça publica. Justo o partido do governo. Hoje se falou repetidamente em nossos telejornais que a turba – a manifestação pacifica que está depredando prédios tombados – diga-se, é apartidária e está repudiando qualquer partido que a defenda. Ai eu já não sei se é burrice, ou é ignorância mesmo. Como é que vamos falar com nossos governantes, sem que sejamos representados por alguém?

Os telejornais apontaram – Aliás, os telejornais tem tido mais coragem de falar o que se deve, do que os políticos. Onde está a turma que eu votei? Repudiar os partidos políticos não me parece razoável. Teremos que pensar novas maneiras de governar um país então.

O movimento não pode continuar sem rosto, sem partido. Agir assim, é estar reivindicando sem um rosto, uma personalidade. Por enquanto é um movimento sem rosto, sem partido e temo dizer: sem nada. O grande problema é banalizar essa situação.

Os lideres da manifestações tem que entender que algum tipo de representante se faz urgentemente necessário. Queremos ouvir as reivindicações, mas estas precisam estar formalizadas. O que estraga o movimento é a arruaça. O que pode colocar tudo a perder são as depredações, os roubos.

Crente pode participar de manifestações?

Tenho observado a covardia da Igreja e a omissão generalizada nos nossos púlpitos, como se nada estivesse acontecendo. Acorda, que o Brasil esta atravessando revoluções intestinais que podem mudar a sua cara para sempre. Onde estão os profetas de plantão, que falam grosso entre quatro paredes, mas que agora que são urgentemente necessários, para dizer ao povo o que Deus diz ou pensa, do que se ocorre, se escondem em cavernas cômodas, com TV de controle remoto, colorida. Pra mim essa omissão é covardia, me desculpem. Pra que Deus levanta profetas para uma nação, se esses tem medo de falar?

Eu quero dizer algo aos meus irmãos cristãos, acredito que poderá servir a outros não cristãos também. Nessa minha fala me lembro de um pastor que tive que não tinha medo de se engajar em nada. Ele sabia a que fora levantado e fazia o seu papel.

Sim, o cristão pode e deve participar da vida do seu país. Não temos nada contra as manifestações pacificas, desde que sejam pacificas. O movimento reivindica melhorias para o povo brasileiro, e isso é muito válido. Caso as manifestações deixem de ser pacificas, o cristão não deve se envolver. O Israel do Antigo Testamento conquistou a paz com muita luta. Nós do Novo Testamento entendemos melhor e não devemos fazer assim. Cristão não deve estar envolvido em arruaças, depredações, xingamentos, ou ferir alguém do modo que for.

A omissão da Igreja

Esta omissão da igreja, em analisar e propor alternativas em Deus para o povo, é covarde. Isso mostra uma falta de engajamento social. Seria muita hipocrisia viver a vida, como se nada estivesse ocorrendo. A Igreja precisa ser conclamada a orar pelo seu país. Tem-se na igreja tantas campanhas de tudo quanto é coisa. Levantemos as nossas orações pelo povo que está sem rumo, sem direção.

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Nesses dias em que o povo rejeita o governo brasileiro, a Igreja deveria fazer ver que nós já vivemos uma forma de governo baseada em Deus. A Igreja já vive uma autocracia. Nós já vivemos isso e não achamos ruim. Os membros da igreja vão ao culto para entender qual é a mensagem, a direção de Deus para si e para sua família, seu povo, sua nação. Vivemos assim a dois mil anos e tem dado certo. Experimenta!

Paulo Sérgio Lários

Paulo Sérgio é Presbitero, tecnico de informática e escritor

O cristão e as manifestações

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