O comércio na igreja e um tal de Chopis Centis

Acompanhe comigo um assunto que tem deixado muita gente aborrecida, o comércio na igreja. Há quem o defenda e há quem o recrimine. Há ainda um terceiro grupo que o admite em algumas circunstâncias. Lembro-me de uma canção do Mamonas Assassinas em que um nordestino ao iniciar o namoro com uma moça a leva no Shopping Center, não sabendo o pronunciar bem dizia “Chopis Centis”.

O cabra não era bobo, levou a moça em um lugar onde havia toda a comodidade, tudo próximo. Hoje, há igrejas que devido ao comércio desenvolvido no interior delas tem se convertido num imenso “Chopis Centis”. Antes de prosseguirmos gostaria que lesse a passagem de João 2. 14-16:

“No pátio do templo viu alguns vendendo bois, ovelhas e pombas, e outros assentados diante de mesas, trocando dinheiro. Então ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas e virou as suas mesas. Aos que vendiam pombas disse: “Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!”

Traduzindo para uma linguagem mais moderna ficaria mais ou menos assim: “Entrando Jesus no Templo viu a Feirinha da Madrugada, havia até quem vendia lenços, meias e cuecas ungidas. Jesus ficou arretado e derrubou os envelopes de campanhas que inescrupulosos davam ao povo. Sentou a borrachada no couro dos sem vergonha que barganhavam a Palavra de Deus, enquanto ele gritava: Salafrários, não façam da Igreja um Shopping Center”.

O comércio na igreja é realmente necessário?

comércio na igreja
Mas em São Paulo, Deus é uma nota de cem

Não, não é. Mas é bom lembrar que Jesus não condenou o comércio em si, mas sim a atitude dos vendedores que exploravam o povo, fazendo com que os adoradores abandonassem a Casa de Deus. Os mercadores agiam com usura, faltava a eles a justiça, ate a pobre viúva era explorada impiedosamente. E note que tudo isto com o apoio irrestrito dos sacerdotes.

Minha posição a respeito do comércio na igreja

Antes de prosseguirmos, vamos levantar algumas questões: O cristão vai a igreja adorar a Deus, lá ele cultua, louva e declara seu amor ao Altíssimo. Mas este mesmo cristão é um consumidor. Então creio que nas dependências da igreja deva haver um local separado para o comércio, isto é, respeitando todas as normas e leis vigentes do comércio.

Toda atividade comercial visa o lucro, mas esta facilidade deve contribuir para o bem estar dos membros e nunca para explorá-los. O lucro advindo desta atividade comercial deve ser revertido em melhorias na igreja ou em socorro e assistência social, isto no campo periférico, por que se olharmos adiante, uma obra missionária pode perfeitamente bem ser sustentada através do comércio na igreja.

E aquela igreja que faz bazar, pode?

Ta vendo só como a coisa é complicada? É super comum que igrejas de periferia tenham dificuldades para pagar o aluguel, fazer investimentos. É um ventilador que é necessário, uma guitarra nova ou a aquisição de um veiculo próprio…

Então o pastor tem a brilhante idéia de fazer um bazar. Então solicita aos abençoados irmãos que tragam roupas e calcados para serem vendidos no bazar.

Nem vou dizer que tem irmão que traz aquelas roupas que nem o seu cachorro quer, de tão velhas e bolorentas que estão, mas deixemos estas minudencias e sigamos adiante.

O comércio na igreja não sustenta a obra

O apostolo Pedro registra que homens movidos pela avareza, se utilizariam de negócios escusos e palavras fingidas, objetivando única e exclusivamente o lucro advindo dos fiéis. 2 Pedro 2. 3. O que sustenta a obra de Deus são os dízimos e ofertas (Ml 3. 10; Ex 35. 5,21,29). O apostolo Paulo afirma que cada um contribua segundo propôs no coração, com alegria. 2 Co 9. 7

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Finalizando, volto a reiterar, o comércio na igreja deve ser realizado fora do salão principal, o local de adoração, isto no caso de igrejas com múltiplos ambientes. Quanto ás igrejas de periferia que por circunstâncias muitas vezes é um único salão, deve ser utilizado o bom senso.

É super desagradável entrar numa igreja e ver um amontoado de roupas e sapatos ali, a atravancar a entrada das pessoas, trazendo um aspecto desagradável ao ambiente. O local de adoração a Deus deve ser única e exclusivamente para este fim.

O comércio na igreja e um tal de Chopis Centis

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