E aí irmão, onde é o culto?

Rápido, me responda uma coisa: em que Igreja você vai hoje? Enquanto você pensa na resposta, deixe-me fazer algumas considerações a respeito do tempo atual. Considerações a respeito do êxodo que está havendo entre as igrejas. Sim, seu sei. Vivemos em uma época abençoada, no entanto, nuvens negras, ameaçadoramente teimam em encobrir o Sol da Justiça que paira sobre nós.

Percebo com tristeza que esquecemos a simplicidade que Cristo recomendou que tivéssemos. Já não agimos mais com prudência, mas sim segundo os nossos interesses, atropelando o bom senso.

Há um grande numero de crentes desiludidos, desanimados, descrentes do poder de Deus, no entanto as igrejas estão cheias, abre-se igrejas em todos os lugares e rincões do nosso país, em uma demonstração de que o Evangelho triunfa. Será verdade esta afirmativa?

É verdade, porém há um complicador. Um novo êxodo está acontecendo. Crentes perambulam de uma igreja para outra a procura de comodidade (Os 9. 17; Jz 17. 8). O que não falta é igreja ao modo do freguês. – Opsss, quis dizer “crentês” – Uma vez que no Brasil segundo o censo de 2002 do IBGE exista no país mais de 200 mil igrejas de variadas denominações.

Há uma grande semelhança entre o homem que era colocado na porta Formosa (Ler Atos 3.) e os cristãos de hoje. Quantos cristãos são levados por outros cristãos a sairem de suas igrejas e irem para outras, simplesmente por causa de um conflito havido entre eles e que não foi administrado.

Gêmeos conversando

Ora isto revela um não amadurecimento destes crentes que buscam comodidade. O levita a que nos referimos acima era Jônatas descendente de Moisés, o escritor tentou esconder a descendência do levita, porque seria uma mácula muito grande para Moisés; porém com Deus tudo é descoberto.

Há hoje nos grandes centros urbanos uma implantação de igrejas quase que diária. A primeira vista deveríamos aplaudir o empenho e zelo dos nossos líderes, porém, creio que é melhor analisarmos este “fenômeno” detidamente. Creem os pastores que o evangelho deve ser divulgado intensamente, e assim também pensamos. No entanto, não há um planejamento para fazer a obra de Deus. Algum questionamento dever ser feitos com vista à realização de qualquer empreendimento dessa natureza:

  • Tenho elementos [obreiros] suficientes para me auxiliar
  • O local é apropriado para o objetivo que pretendo
  • É viável este empreendimento

A falta de ética dos pastores

A não observância dos fatores acima implicará em uma série de conseqüências nem sempre positivas. Muitas vezes o líder abre uma igreja na mesma rua ou então ao lado de outra já existente no local. Esta postura revela uma insensibilidade, uma natureza antiética.

A verdade é, quando o membro da igreja vizinha vem para a nova igreja, o “insensível” declara em alto e bom som ao microfone: “Aleluia irmãos! Deus está operando e salvando almas neste lugar”. Quanto engano! Recebendo a nova igreja os “migrantes”, não configura crescimento espiritual ou qualitativo. Pelo contrário é um crescimento pífio, sem sustentação, que perdurará até a existência de outra igreja vizinha.

Sei que ao ler este artigo muitos se declararão contrários aos fatos aqui descritos, mas para minha defesa recomendo que leiam todo o livro de Atos dos Apóstolos.

Tempos depois a nova igreja fecha deixando atrás de si membros sem saber onde congregarão, escândalos na vizinhança e um prejuízo maior: a descrença no evangelho. Devemos ressaltar que há uns poucos que tem plena consciência do momento difícil que vivemos. Entretanto, torna-se dificultoso propor ou buscar um reencontro com a verdadeira essência do evangelho pela oposição ou indiferença dos insensíveis.

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Enquanto isso não ocorre, continuaremos nos dias de culto a nos depararmos com um desfile [na falta de outra palavra mais apropriada] de crentes indo e vindo para as reuniões; cruzando e recruzando os bairros e a nossa impressão será a de que o evangelho triunfa.

E aí irmão, onde é o culto?

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