A prosperidade e o Reino de Deus (vida financeira do crente)

Convidaram-me para ser o pregador de uma Campanha de Prosperidade. Não fui e quero explicar publicamente os meus motivos. Alguns irmãos acham julgam que eu gosto de Campanhas de Prosperidade. Isso não é Evangelho. Não foi isso que Jesus mandou pregar. Não nasci para pregar isso, apesar de que já preguei.

A Igreja que me convidou, mandou um menino entregar um convite, praticamente na véspera e sem um telefone para contato. Tentei cancelar, mas não consegui. Só restou faltar mesmo, sem dar satisfações, infelizmente.

Interessante é que a igreja, nem se deu ao trabalho de confirmar se eu iria ou não, pois eu não estava em casa quando levaram o convite. Eles estavam tão convictos da minha aceitação, que nem confirmaram o convite, não ligaram, não se importaram. Sentir-me apenas preenchendo uma programação, um show.

Aliás, é preciso vir um pregador de fora para mandar os irmãos darem seus dízimos e ofertas? Ou querem que o pregador ensine um atalho para a benção financeira que não passe por dar dizimo e oferta?

Quem dá a prosperidade é Deus

Já falamos sobre isso, mas parece que é bom repetir. Quem dá a prosperidade é Deus. O que isso significa? Significa que não preciso fazer certas coisas, que são comuns hoje em dia, para adquirir prosperidade. A Bíblia diz o seguinte: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas”. Mt. 6. 33

Uma coisa que aprendi a respeito desse versículo é que ele apressa o que Deus quer fazer em sua vida para te abençoar. Se você se dedicar à obra, Deus vai fazer acontecer mais rápido. Mas buscar a Deus não isenta ninguém de cumprir a lei do dizimo e da oferta.

Vejo gente fiel, que não falta na igreja, com as panelas vazias, literalmente, sem ter o que dar pra comer aos seus filhos, com roupinha rasgada, sapatinho xulé no pé, alguns até obreiros, mas que não dão os seus dízimos e ofertas. Uma maneira de adquirir prosperidade é buscar o Reino de Deus, se preocupar com a obra, com a Igreja, com as pessoas frequentadoras da Igreja. A Bíblia não manda se preocupar com a prosperidade. Ml 3. 10-11

A regra básica da prosperidade

prosperidade
A benção do Senhor é que enriquece e não causa dores

A regra básica, reconhecida universalmente, da maneira que Deus dá a prosperidade, é através de darmos os nossos dízimos e ofertas. Se você dá o seu dizimo e a sua oferta regularmente, o que quer dizer pontualmente.

Mas se você é daqueles que não dão o dizimo e a oferta e quer ficar conversando o sexo dos anjos, então filho, a benção não é pra você. Mas vamos voltar a Malaquias três, na parte da benção. Todos são chamados a trazer os seus dízimos e ofertas à casa do Senhor, à Igreja, fazer prova de Deus, pois Ele promete derramar uma benção excelente, e Deus próprio promete, também, repreender o devorador, com a promessa de que a nossa colheita será fértil.

O que eu vejo muito é o seguinte: gente que não é fiel dizimista e ofertante querendo a benção financeira (como é que essa pessoa quer receber algo?) vejo muitas pessoas não querendo levar seus dízimos à igreja.

Em qual igreja devo levar meu dízimo

Entregar o dizimo em qualquer lugar que não a igreja da qual é membro não é sábio. Se fosse para darmos os nossos dízimos à casas de recuperação, ou para uma organização qualquer, Deus tinha falado isso. Se você quer entregar o seu dinheiro excedente, os seus 90%, para a Casa do Câncer ou para uma instituição qualquer, você pode. O dinheiro é seu, mas se você quer a benção da maneira bíblica, então você tem que entregar os seus dízimos e ofertas na sua igreja, onde você congrega.

Carnê de uma outra igreja qualquer, ou até da sua pode ser reconhecida como oferta voluntária, mas isso não é dizimo. Dar oferta e não dar o dizimo, não resolve nada. Você pode dar o dizimo e não dar a oferta. Isso pode. Mas não podemos dar a oferta sem dar o dizimo, não é aceita. A maneira bíblica é entregar os seus dízimos e ofertas, integrais na sua igreja e não na do vizinho.

Acho estranho dar o dizimo em outra igreja que não a sua. É o mesmo que investir o seu salário na casa do vizinho. Comprar roupas para os filhos do vizinho, sapatos para a esposa do cara, pagar a prestação do carro do outro. Você já se imaginou pagando a conta de luz do vizinho?

Repreendendo o devorador

Essas campanhas tem nos ensinado que nós devemos repreender o devorador. Isso é exclusivo de Deus. Como é que eu vou repreender o devorador? Eu vou dar uma ordem e ele vai acatar assim, sem briga? Você acha que tem poder de repreender o devorador? Isso é presunção maligna.

Esse tipo de demônio é tão sério que o próprio Deus, em pessoa disse que o faria e somos presunçosos o suficiente para achar que nós podemos fazer isso. Vamos roubar a glória de Deus agora? Eu posso, por outro lado, repreender o devorador em minha vida, indiretamente, através de Deus, quando dou o meu dizimo e minha oferta e espero Deus fazer a parte dEle.

Da maneira que somos ensinados, não estamos mais dependendo de Deus, para que Ele faça o que Ele revelou que o faria. Até Malaquias ninguém sabia desse assunto. Malaquias o descortinou para nós.

A dependência de Deus traz prosperidade

Um grande problema de não recebermos a prosperidade é porque não estamos mais dependentes de Deus. Fazemos as nossas campanhas de prosperidade e exigimos que Deus cumpra a parte dEle. Deus não é um poder, é uma pessoa. Se alguém me pedir algo obrigado, provavelmente eu não vou fazer.

Agora se me pedir com educação, há grandes chances de ser respondido. Se eu sou humano faço assim, imagine Deus. Tem um bando de gente ímpia, dentro das igrejas exigindo de Deus seus direitos. Temos o direito de ficarmos quietos e deixar Deus trabalhar em nossas vidas, isso sim.

As nossas campanhas tem atestado que não estamos crendo em Deus. Fazemos nossas campanhas totalmente não bíblicas e exigimos nossa benção e pior, ficamos bravos, ameaçando Deus de não o seguirmos mais, se Ele não nos abençoar. Parecemos até criancinhas mimadas. Isso não é Evangelho.

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Você quer a benção financeira? Você quer ser abençoado por Deus, com a benção da prosperidade e que Deus repreenda o devorador em sua vida? Então irmão seja sério e só cumpra o que a Bíblia diz. Não precisamos inventar nada. Eu não preciso de campanha de prosperidade, eu preciso é acreditar em Deus e na sua Palavra. Se ainda precisamos de campanhas para dar o dizimo e a oferta, então a coisa está ruim. Estou incrédulo!

Paulo Sérgio Lários

Paulo Sérgio é Presbitero, tecnico de informática e escritor

A prosperidade e o Reino de Deus (vida financeira do crente)

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