A parábola do semeador (conceito de julgamento)

Finalizamos aqui a série de 03 artigos sobre a parábola do semeador. No artigo anterior você acompanhou os Tipos de solos na parábola do semeador. Jesus possuía um método de ensino bem peculiar, se utilizava de parábolas. A parábola é uma narração alegórica que se utiliza de situações e pessoas para comparar a ficção, sendo por esta razão riquíssima em detalhes.

A parábola do semeador é um retrato fiel da declaração de Isaías a respeito da incredulidade e indiferença do povo hebreu, um povo de coração duro e insensível.  Àquele que tem se lhe dará em abundância, mas o que não tem, até o que tem lhe será tirado.

Essa fala de Jesus é extremamente não popular e pode até não parecer Evangelho para aqueles que não lêem a Bíblia. Jesus fala por parábolas para que eles vendo, não vejam e ouvindo não compreendam. – Para que isso, poderíamos perguntar seriamente e a resposta é para que se cumpra a profecia de Isaías:

“Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e vendo, vereis, mas não percebereis, porque o coração desse povo está endurecido, e ouviram de mau grado, e fecharam seus olhos para que não vejam e nem ouçam com seus ouvidos e compreendam com o coração e eu os cure.”

A fala é duríssima. E percebemos uma ponta de amargura na fala de Jesus, pois eles não ouvem de bom grado, agradecidos. A Palavra está sendo pregada por Jesus a gente que não quer a Palavra. Esses fecharam os seus olhos para não verem.

Jesus falava por parábolas para eliminar resistências

parábola do semeador

Eles se decidiram a não ver. Conhecemos um monte de gente assim, não querem ouvir e não querem ver a verdade que é Jesus. Ainda assim Jesus pregou obscuramente para eles. Ainda deu-lhes a chance de se converter, mesmo de uma maneira mais difícil.

Para que se cumpra a profecia de Isaías. – Com essa fala, entendemos melhor a parábola e entenderemos melhor todas as posteriores. Há exclusividade no Evangelho? Sim, há. Essas coisas que entendemos devem nos constranger em amor e temor. Deus não escolhe a qualquer um e o entendimento não vem a qualquer um. Deus dá-se a entender a quem ele quer.

O resumo triste da fala de Jesus é que: Muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês estão vendo e não viram; e ouvir o que vocês estão ouvindo e não ouviram. O medo desse assunto é que poderemos endurecer o nosso coração e ouvirmos sempre e não entendermos o que estamos ouvindo, ou não estarmos dando mais atenção para o que ouvimos da parte de Deus.

Poderemos estar vendo Deus trabalhar e fechando os nossos olhos para a verdade e seguindo a genealogias intermináveis que não levam ninguém a lugar algum. Poderemos nos tornar religiosos e não crentes. Poderemos nos tornar pregadores, mas não da verdade. Poderemos fazer cara de quem está entendendo a pregação, mas pra nós virou parábola.

Coitado do homem que entrou nessa profecia de Isaías, ficou cego e surdo, por si mesmo. Deixou-se cegar e ensurdecer. A verdadeira Palavra é de revelação e não de obscurecimento. Cegaram e ensurdeceram por si próprios, por não querer a verdade.

O teor de julgamento da parábola do semeador

A Parábola do Semeador – e por extensão, todas as seguintes – adquire a partir da explicação de Jesus um teor de julgamento. Todas as parábolas são cumprimento da Palavra de Isaías para um povo que não quer ver e não quer escutar, que tem o seu coração endurecido. Gente essa de mentalidade rasa para as coisas de Deus, preocupadas com seus fascínios da vida. Gente essa preocupada com as coisas da carne e não com as coisas do Espírito.

Janes e Jambres

Na tradição judaica Janes e Jambres foram os dois magos que se opuseram a Moisés no Egito. Vamos ler o que a Bíblia fala sobre gente igual a eles em II Timóteo 3:8-9: “que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade. Sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé”.

O assunto da Parábola do Semeador é o mesmo: gente que aprende sempre e nunca pode chegar ao conhecimento da verdade. Esses gostam de genealogias, de religiosidade e de fanatismo. Cegam-se para o verdadeiro Evangelho da Liberdade no Espírito. É um tipo de gente que não vive a vida e se possível não vai deixar o seu próximo viver. É gente que o seu coração não é uma boa terra.

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Eu não sei você, mas eu fico com medo de saber que Deus esclarece a Palavra a uns e esses têm entendimento das coisas de Deus e vivem uma vida abençoada em Jesus. Sem modismos, fanatismos ou loucuras que não melhoram nada e nem ninguém e outros que ouvem sempre e nunca aprendem. Veem sempre e nunca enxergam. Esses estão propícios à Operação do Erro e não à liberdade no Espírito. Que Deus nos ajude a enxergar corretamente e a ouvir com os ouvidos do coração o que o nosso Deus quer nos ensinar.

Paulo Sérgio Lários

Paulo Sérgio é Presbitero, tecnico de informática e escritor

A parábola do semeador (conceito de julgamento)

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