A misericórdia de Deus manifestada ao perdido

Estou aqui me lembrando do profeta Jeremias se queixando do inverno “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos.” (Jr 8. 20). Claro que ele se referia a situação de Judá, que se afastava cada vez mais do Senhor. Quero trazer o sermão A misericórdia de Deus manifestada ao perdido de Charles Spurgeon. Spurgeon viveu na Inglaterra no século XIX, suas mensagens cheias de imagens e significados e de fácil compreensão falando diretamente ao coração do povo, levou milhares de almas ao arrependimento.

Neste sermão Spurgeon faz uma radiografia precisa da alma humana, retrata a maldade e perdição dos judeus dos dias de Ezequiel, lembrando que a humanidade, cujos corações é má desde a meninice, segue o mesmo caminho. Uma riqueza sem tamanho este sermão, um tanto longo, é verdade, mas recomendo que favorite a página para que faça uma leitura mais acurada posteriormente.

“Ninguém olhou para você com piedade nem teve suficiente compaixão para fazer nenhuma dessas coisas por você. Ao contrário, você foi jogada fora, em campo aberto, pois, no dia em que nasceu, foi desprezada.” ‘Então, passando por perto, vi você se esperneando em seu sangue, e, enquanto você jazia ali em seu sangue, eu lhe disse: Viva”! Ez 16. 5-6.

Nestes versículos de Ezequiel, o Senhor está descrevendo o povo judeu quando era escravo na terra do Egito e consistia de poucas pessoas. Elas ainda não constituíam uma nação. O Senhor aumentou consideravelmente seu número no Egito e elas tornaram–se uma nação. Devido à grande quantidade de israelitas, o rei do Egito foi muito cruel com eles. Ele ordenou que os judeus matassem todos os seus filhos homens. Deviam lançar fora as crianças e deixá-las morrer.

O filho rejeitado, retrato de Israel

Essa descrição do filho rejeitado, deixado num campo para morrer de fome ou de frio, ou então ser morto por feras selvagens, é um retrato da jovem nação de Israel. Deus viu a nação oprimida por Faraó, como uma criança expulsa. Ele olhou para Israel com amor e livrou-o do Egito, levando-o a uma nova terra que Ele lhe deu. As palavras desta nossa passagem são também uma descrição da raça humana como é por natureza. Deus passa pelo pecador e o vê banido, perdido e desamparado. Então, em Sua divina misericórdia, Ele diz ao pecador: “Vive!”

Vamos considerar os textos de três formas. Mostraremos: (I) A miséria da condição do homem como exposta na passagem, (II) O motivo pelo qual Deus tem pena de pecadores miseráveis. (III) O modo pelo qual Ele salva os pecadores de sua condição de perdidos.

Chamo suas atenções para a condição miserável do homem. O texto descreve uma criança deixada do lado de fora para morrer; o bebê, largado no campo aberto por pais cruéis. Tudo o que era necessário para a vida da criança havia sido retirado.

Era um costume entre as nações pagãs deixar seus filhos mais fracos morrerem assim. Mas os judeus não tinham esse hábito. Eles lembrariam, contudo, que no Egito Faraó havia ordenado que todos os filhos homens dos judeus deviam ser mortos. Os judeus também lembrariam como Moisés foi deixado numa cesta no rio Nilo. Assim, essa passagem seria compreendida. Vemos no texto a destruição de uma criança. A criança não conheceu felicidade alguma na vida. Só conheceu dor e sofrimento. E todos os que nascem neste mundo passam pela mesma experiência.

Sem a misericórdia de Deus, estamos perdidos

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No Salmo 51:5 lemos que todos os homens são pecadores desde o nascimento, e pecadores a partir da concepção. Somente Adão nasceu sem pecado. Todavia Adão, pela desobediência a Deus, tornou-se um pecador. Ele caiu da graça de Deus. E desde então todos os homens têm sido pecadores. Devido à queda de Adão, nós também somos decaídos.

Nossa natureza é má. Estamos sob a condenação de Deus desde nosso nascimento. Deus diz isso em Sua Palavra. O homem é como uma criança expulsa para morrer. A menos que Deus tenha misericórdia de um homem, esse homem está perdido. Não há nenhuma doutrina mais humilhante do que a doutrina do pecado original. Esta doutrina tem sido atacada por pessoas que odeiam o evangelho. No entanto, a doutrina do pecado original deve ser sustentada por aqueles que querem exaltar a Cristo.

Quando percebemos a terrível destruição da qual Cristo nos salvou, Sua graça torna-se ainda mais gloriosa. Todas as pessoas nasceram sob a lei de Deus e estão sob a maldição de Deus. Somente a graça de Deus pode tirá-las das profundezas da destruição, elevando-as às alturas da glória.

A passagem ensina muito claramente que a criança banida é totalmente incapaz de fazer algo para se salvar. O bebê não pode andar a fim de encontrar abrigo. Não pode falar para pedir ajuda a alguém que está passando. À criança está completamente desamparada. Apenas uma outra pessoa pode fazer algo para ajudá-la. Até que alguém venha para ajudar a criança, ela deve jazer abandonada na dor no campo aberto.

A natureza humana é fraca e desamparada

perdido

A natureza humana é tão fraca e desamparada quanto o bebê que descrevemos. As pessoas não podem fazer nada para se salvar. Por natureza, todos os homens estão mortos em transgressões e peca­dos. Como podem aqueles que estão mortos trazer a si próprios à vida?

Somente Deus pode levantar os que estão mortos em pecado. Se o homem há de ser recuperado, isso terá que acontecer por um milagre. Somente Deus pode operar esse milagre. Este ensino vem da Palavra de Deus. Se vocês não são cristãos, estão tão perdidos que, por mais desesperadamente que tentem, não se podem salvar. A situação é ainda pior que isso. Por natureza vocês não querem ser salvos. Vocês odeiam a Deus. É terrível dizer que vocês odeiam a Deus, mas é verdade.

Somente o Santo Espírito de Deus pode fazê-los conhecer a verdade de que vocês odeiam a Deus. Mas até agora vocês não amam a verdade de Deus. Amam o pecado e não desejam ser libertos dele. Esta incapacidade de se salvar nunca pode ser usada como uma desculpa para se pecar. Contudo, a incapacidade de fazer o bem torna nossa culpa pior. Tomamo-nos tão perversos que, não importa o que façamos, não podemos tornar-nos bons.

Temos o DNA do pecado em nós

Nossas vidas estão repletas de pecado porque nossa natureza é má. É tão natural para nós pecarmos quanto o é para a água descer em correnteza, ou para centelhas de uma fogueira subirem. Como o bebê expulso no campo, os incrédulos estão completamente desamparados.

O texto também ensina que os pecadores não têm ami­gos. “Não se apiedou de ti olho algum, para te fazer alguma destas coisas, compadecido de ti”. Eles não têm nenhum amigo para ajudá-los. Só Deus pode ajudar. Um bom pai ou uma boa mãe pode compadecer-se da criança, porém nenhum pai ou mãe pode mudar a natureza da criança ou tirar seu pecado.

Da mesma forma, há pregadores que derramariam lágrimas se seu pranto trouxesse pecadores até Cristo. No entanto o evangelista mais fervoroso não pode, através de sua própria pregação, trazer vida às pessoas que estão mortas no pecado. Nem mesmo um anjo pode tirá-las de sua condição pecadora. Suas famílias podem chorar por elas, mas esse pranto não pode fazer a expiação do pecado.

As lágrimas humanas nunca podem purificar um pecador. O forte desejo de outros para que uma pessoa seja santa não pode revesti-la de retidão. Estamos todos sem amigos, desamparados e arruinados. A lei nos condena. A justiça nos ameaça. Onde pode­mos ir se Deus recusa-se a nos acolher?

Nosso texto mostra com muita clareza que, por natureza, os pecadores estão expostos, abandonados em campo aberto, um lugar deserto, frio à noite e quente durante o dia, Talvez ninguém passe por ali. Feras selvagens estão procurando carne para comer. E por natureza os pecadores estão nessa condição. Somente Deus sabe os perigos aos quais uma pessoa está exposta se ela não nascer de novo. Deus sabe a terrível culpa de apenas um pecado.

Deus conhece a natureza humana

Somente Deus conhece as tentações que se encontram no caminho de uma pessoa não convertida. A morte quer tragar o homem desamparado. O inferno está esperando para arrastar o homem para baixo. Pecadores — vocês não têm nenhum amigo, e sim muitos inimigos.

Os inimigos que querem destruí-los são muito fortes. Vocês não têm o poder nem a determinação para resistir a esses inimigos. Estão tão desamparados quanto uma criança na boca de um animal selvagem. Vocês ficam desamparados pelo pecado e são presas fáceis para os que querem destruí-los.

O texto também ensina que o homem está numa situação repugnante. O bebê expulso era repulsivo ao olhar. “… foste lançada… no dia em que nasceste, porque tiveram nojo de ti.” Nada nos seres humanos é atraente. Tudo neles é repugnante. No entanto, eles não creem que são tão repulsivos.

As pessoas acham que há coisas boas nelas. Quão fácil é sermos engana­dos! Podemos pensar que somos como anjos quando nos assemelhamos mais a diabos. Quando Deus, o Espírito Santo, mostra a um homem o que ele realmente é, esse se vê repugnante.

Nem mesmo cobras venenosas ou sapos asquerosos são tão repulsivos para o homem quanto o homem deve ser para Deus. A semelhança de Deus, que outrora esteve nos seres humanos, quase não pode mais ser vista. Certamente a criança seria destruída. A ruína da criança expulsa é uma ilustração da infalível destruição de todo homem, à parte da graça de Deus. A humanidade há de perecer, a menos que Deus a salve.

A humanidade perder-se–á por toda a eternidade, a menos que o forte braço de Deus seja estendido para ajudá-la. Somente Deus pode cuidar do bebê desamparado. A criança expulsa não se pode salvar. E nossa salvação só pode vir de Deus.

Deus conhece intimamente nosso coração

Não estou descrevendo somente os pecadores muito perversos. Estamos todos num perigo terrível, a menos que nasçamos de novo. Esta é a verdade fundamental. Vocês podem ter muitas boas qualidades. Vocês podem ser dignos, sensatos e honestos. Podem dar generosamente aos pobres.

Seus amigos e parentes podem gostar de vocês por causa dessas boas coisas que vêem em vocês. Não obstante, preciso dizer-lhes que, apesar dessas coisas boas, se não tiveram nascido de novo, por natureza vocês não são melhores do que o pior dos pecadores.

Sei que estou falando para muitas pessoas que não correram para Cristo buscando refúgio. Muitos consideram-se a salvo por­que acham que são melhores do que aqueles que pecam mais abertamente. Contudo, Deus enxerga diretamente no íntimo de nossos corações. Ele vê o pecado que está em nossos corações, que podemos esconder de outras pessoas. Sondem os seus próprios corações e verão como vocês são pecadores. Se viverem e morre­rem como são agora, vocês irão para o inferno.

Queira Deus arrebatá-los de uma condenação tão terrível! O Espírito Santo deve primeiro mostrar-lhes que de fato merecem ir para o inferno. Vocês devem tremer por causa da maldade de seu pecado. Devem sentir a ira do Senhor contra seu pecado. Então, Ele irá graciosamente salvá-los.

Quando Noé disse às pessoas que iriam afogar-se caso não corressem para a arca, elas acharam que ele era muito rude. Mas era por amor que Noé advertia as pessoas a seu redor para entrarem na arca. E da mesma forma, vocês perecerão se não encontrarem abrigo em Jesus Cristo.

Deus tem um plano de salvação para o perdido

Deus tem um plano de salvação para pecadores perdidos e destruídos, os quais merecem com justiça a condenação. Corram para o plano de salvação de Deus, ou vocês estarão perdidos para sempre!

Pecadores — rogo-lhes que pensem sobre essas coisas. Vocês estão destruídos pelo seu próprio pecado. Vocês estão prestes a perecer. Vocês estão sem ajuda e sem poder. Estão expulsos como a criança, e expostos à maldades que não vêem nem conhecem. No final, encontrar-se-ão no inferno, a menos que Deus os liberte.

Vocês devem fazer como o apóstolo Pedro disse: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1 Pe 5. 6). Confessem seus pecados a Deus com corações submissos. Chorem diante dEle em verdadeiro arrependimento. Deus pode e Deus irá libertá-los. Deus irá levantar seu povo da destruição, da boca do inferno. Estive descrevendo a terrível situação da criança que foi lançada fora. Disse-lhes que a humanidade também está num estado de completa ruína. Louvado seja Deus que não terminamos aqui.

Os motivos da misericórdia de Deus

Tentaremos agora descobrir as razões para a graça de Deus. Por que Deus teve misericórdia de pecadores tão miseráveis? Olhamos para esse bebê repul­sivo, que foi expulso. Não podemos esperar que Deus terá compai­xão dele. Vamos pensar, antes de tudo, a respeito de algumas das razões pelas quais os homens ajudam aqueles que não merecem ajuda.

Alguns são generosos porque querem que os outros tenham um bom conceito deles. Há algo na natureza das pessoas que faz com que tenham um bom conceito de si próprias. Elas também precisam que os outros as considerem bem. Deus, contudo, não tem tal necessidade.

Deus é indepen­dente de tudo e de todos. Ele age de acordo com sua própria vontade. Quando Ele diz: “Eu farei”, o que quer que diga será feito. Deus é soberano, e sua vontade, não a vontade do homem, será feita. Quando Deus realmente salva as pessoas, não é porque algo o compele a fazê-lo. Deus salva os pecadores porque Ele quer salvar os pecado­res. Eles estão perdidos e não há nada que obrigue a Deus a salvá-los. Se Deus de fato os salva, deve ser “segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça” Ef 1. 5-6.

Às vezes, os homens ajudam os outros por causa de seus pais ou de sua raça. Mas não há nada na origem desta criança expulsa que poderia influenciar alguém a salvá-la. Ambos os pais da criança eram de raças que tinham sido amaldiçoadas por Deus.

O pai era um amorreu, a mãe era uma hetéia. E não há nada em seu parentesco ou no meu que poderia induzir Deus a ter misericórdia de nós. Reis e príncipes têm orgulho por pertencerem a famílias importantes. Contudo, a posição sócio-econômica da nossa família não significa nada para Deus.

Em Adão, todos nós caímos da graça

Todos os seres humanos pertencem à raça que descende de Adão. Adão caiu porque desobedeceu a Deus. Em Adão, todos nós caímos da graça de Deus. Não há nada na decaída natureza humana que possa mover o coração de Deus. Os pais podem ser filhos de Deus, porém isso não quer dizer que seus filhos serão salvos. Somos todos pecado­res por natureza e por atos, porque fazemos coisas pecaminosas. Não há absolutamente nada em nós que mereça a misericórdia de Deus.

As pessoas ajudam as outras por causa de sua beleza, Mas esta criança expulsa não tinha beleza alguma. Era asquerosa e repulsiva ao olhar. As pessoas muitas vezes se deixam influenciar pela beleza. A filha de Faraó salvou Moisés porque ele era uma bela criança.

misericórdiaO rei Assuero escolheu Ester para ser sua rainha porque ela era formosa. Mas não há nada de belo na humanidade aos olhos de Deus. “Toda a cabeça esta doente e todo o coração enfermo. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, contusões e chagas inflamadas” Is 1. 6

É assim que parecemos para um Deus puro e santo. Então, Ele não foi persuadido a nos ajudar por causa de nossa aparência atraente. Pode haver coisas em nós que as outras pessoas acham boas. Todavia não há nada em nós que possa fazer com que Deus nos tenha em bom conceito. Somos pecadores decaídos, ímpios e condenados.

Não há absolutamente nenhuma beleza em nós que faria com que Deus quisesse ter-nos como seu povo. Nem mesmo os céus são puros para Deus. Deus nunca nos amará por causa de nossa beleza. Mas Deus pode amar-nos ainda que não sejamos belos. Ele pode amar-nos apenas por causa de sua própria graça voltada para nós.

Deus sempre é a causa de nossa salvação

As pessoas muitas vezes auxiliam aqueles que suplicam para serem ajudados. Entretanto a criança que foi expulsa não podia rogar para ser salva. Ela não podia nem mesmo falar. Quando um pecador começa a rogar a Deus em oração, Deus já começou a salvá-lo.

As orações de um pecador nunca podem ser a causa de sua salvação. Deus sempre é a causa de nossa salvação. Deus busca a um homem antes que ele possa buscar a Deus. O Espírito Santo precisa começar uma boa obra na alma de um homem antes que esse homem volte-se para Deus.

As vezes as pessoas são salvas de maneiras maravilhosas. Conta-se que um homem amarrou uma corda numa árvore queren­do enforcar-se. Ele estava a ponto de fazer isso quando passou alguém. O caminhante viu o que estava acontecendo e falou com o homem. Suas palavras foram o meio de salvação do homem que ia se enforcar.

Sabe-se que uma vez, por estarem contrariadas com um certo pregador do evangelho, algumas pessoas trouxeram pedras em suas mãos para atirar nele. Mas o que aconteceu? Elas ouviram a Palavra de Deus e foram convertidas. A única razão para a conversão de tais homens é a graça soberana de Deus. Deus foi encontrado por quem não o procurou.

Deus toma a iniciativa da salvação

Há pessoas que acham que o pecador dá o primeiro passo rumo à salvação. Isso não é verdade. Deus sempre dá o primeiro passo. As pessoas nunca clamarão a Deus para salvá-las até que a obra da salvação já tenha sido começado em seus corações. Elas não querem a misericórdia de Deus. Elas fogem da graça que lhes é oferecida.

Elas rejeitam o evangelho quando é pregado. Não virão a Cristo para que possam ter vida. Voltam suas costas para Deus de maneira obstinada e perversa. As pessoas só são salvas quando Deus, com sua mão forte, leva-as até Cristo.

A graça começa, continua e termina a obra da salvação no coração de uma pessoa. O caminhante não demonstrou pena pela criança porque ela poderia ser útil no futuro, como fazem as pessoas no mundo. Depois que a criança foi resgatada, alimentaram-na, trataram dela e vestiram-na com belas roupas. Se vocês lerem todo o capítulo 16 de Ezequiel, encontrarão a resposta da criança. Ela desviou-se daquele que a amou e salvou. Deus sabia que isso iria acontecer, mas ainda assim amou a ingrata criança. Somos como essa criança.

Deus sabia que embora Ele nos tivesse amado quando não havia nada de bom em nós, iríamos revoltar-nos depois que Ele nos salvasse. Deus sabe tudo. Ele sabe que nossos corações às vezes são apartado dEle. Deus nos ama mesmo sabendo que muitas vezes não cremos nEle.

Deus não os amou porque sabia que seriam pregadores, distri­buidores de folhetos ou professores de escola dominical. Deus os amou mesmo sabendo que muitas vezes vocês seriam ingratos e frios em seus corações para com Ele. Não havia nenhuma razão pela qual Deus deveria salvar os pecadores. Deus sabe que todas as pessoas são culpadas, como criminosos no tribunal de justiça.

Por sua soberania Deus nos poupa do castigo

Agora quero mostrar-lhes a graça soberana de Deus. Deus diz: “Vou poupar esse traidor; ele merece morrer, mas vou poupá-lo. Vou provar que sou rei e o Deus da misericórdia.” Por que então Deus poupa esta criança banida? Há apenas uma resposta para essa pergunta: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia  e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9. 15-16).

Não façam perguntas.  Deus não explica às pessoas o que Ele faz ou porque Ele faz isso. Se vocês questionarem sua realeza. Sua resposta será: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?” (Rm 9. 20). Peçam a Deus sua misericórdia. No entanto, lembrem-se de que vocês não têm direito à sua misericórdia.

Peçam a Deus misericórdia, saben­do que Ele tem o direito de dá-la ou de recusá-la como lhe aprouver. Se Deus quiser, Ele pode salvá-los; ou se desejar, Ele pode destruí-los. Vocês têm a obrigação de curvar suas cabeças e dizer: “Deus tenha misericórdia de nós, pecadores, salve-nos para Sua glória, para que Sua misericórdia e soberania possam ser claramente vistas.” Não podemos ir além em nosso exame. Cremos que o motivo da misericórdia está no próprio Deus. Encerraremos o assunto aqui.

Como Deus salva o perdido

Iremos agora observar a maneira pela qual Deus salva os pecadores da sua condição de perdidos. Deus fala, e acontece. Deus criou o mundo quando as trevas estavam sobre a face da terra. Deus disse: “Haja luz”, e houve luz. Quão simples, porém, quão majesto­sas são as ordens de Deus.

Em nosso texto, vemos um pecador merecendo a ira de Deus e sabendo que ela vem sobre ele. O majestoso Deus passa por ali. Ele olha para baixo e vê uma repulsiva criança banida. Deus para e profere a palavra real “vive”. Poderia alguém, senão Deus, dar vida com uma simples palavra? O incidente é majestoso e divino.

Nada é mais divino do que o evangelho. O pregador do evange­lho pode não ser um bom pregador. Mas o Senhor fala aos pecadores mesmo por meio de pregadores incultos. Quando Deus, mediante o evangelho, diz a um pecador: “vive”, nem mesmo os anjos já ouviram um som mais divino.

Quando Deus diz “vive”, muitas coisas estão incluídas. O pecador condenado está pronto para ser executado. O machado está a ponto de atingir seu pescoço. E então o Deus onipotente diz: “vive”. O pecador culpado levanta-se. Ele é perdoado e libertado. A execução não acontecerá. O crime é perdoado. O pecador que estava para morrer é salvo e viverá para sempre.

A Palavra de Deus traz vida espiritual

A pessoa não convertida não sabe nada a respeito de Deus. Ela não pode ver a Cristo ou ouvir Sua voz. Deus diz: “vive”. A vida espiritual é concedida e a pessoa que está morta em transgressões e pecados passa a viver. Essa vida espiritual continuará ao longo dos anos da vida natural. Quando a morte vier, a voz do Senhor ainda será ouvida: “… te disse: …vive”. Na manhã da ressur­reição, a mesma voz será ecoada pelo arcanjo: “vive”.

O pecador não é capaz de resistir à voz de Deus. Quando Deus diz a um pecador: “vive”, nem mesmo o diabo pode manter o pecador no túmulo. Quando o Senhor diz a um blasfemador: “vive”, essa pessoa que antes havia amaldiçoa­do Deus certamente tornar-se-á um santo, um crente.

A voz que diz “vive” é muito poderosa. Foi essa poderosa voz de Deus que levantou Lázaro dentre os mortos. Cristo ficou ao lado do túmulo de Lázaro e disse: “Lázaro, sai para fora”. Lázaro estava vivo novamente e levantou-se do túmulo.

Pregamos a pecadores e dizemo-lhes para crerem em Cristo. Mas sabemos que em si próprios eles não têm poder para crer em Cristo. Quando, em nome de Deus, dizemos: “Creiam”, o poder está na ordem. A ordem vem da boca de Deus, através da voz do pregador. Se um ministro não está repleto do Espírito de Deus, seu ministério não tem valor.

Contudo se um ministro é um homem que fala em nome de Deus, suas palavras são as palavras de Deus para as almas dos pecadores. Há poder no evangelho quando é pregado por um homem assim. O Espírito Santo está lá para fazer pelo pecador o que ele não pode fazer por si mesmo.

A salvação é mediante a graça

A salvação acontece mediante a graça gratuita de Deus. Quero dizer repetidamente que esta criança expulsa era muito asquerosa e repulsiva. Não havia nada de atraente nela. Havia apenas desamparo. A criança não podia fazer nada para se ajudar. A criança não podia nem mesmo suplicar por si própria. Mas a graça disse: “vive”. Quando os pecadores são salvos, é porque Deus deseja salvá-los. Sua graça vem voluntariamente aos pecadores que não a estão buscando.

Elas não aprenderam a primeira coisa sobre o evangelho, se pensam que podem ser salvas recebendo algum mérito por suas próprias boas obras. Elas estarão perdidas, a menos que olhem para as coisas de maneira diferente.

Se vocês têm confiado em Cristo, em nome de Deus digo-lhes que estão perdoados. Vocês estão vivos em Cristo. Vocês não estão mais condenados. Cristo morreu por vocês e vocês estão revestidos da justiça de Cristo. Vocês estão repletos do Espírito do Deus vivo.

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O que direi aos que são cristãos? Mostrem sua gratidão a Deus vivendo mais como Cristo viveu e vivendo para Cristo. Usem todo o seu tempo e tudo o que têm para Cristo. Nada pode fazer um homem trabalhar para Cristo como a graça gratuita. Aqueles que dizem que crêem nas doutrinas da graça e são negligentes, estão detendo “a verdade em injustiça” Rm 1:18

Espalhem as boas novas de que não é pelo desejo do homem que somos salvos. Não é “do sangue, nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1. 13). Somos salvos pelo poder do Espírito de acordo com a vontade de Deus. Charles Spurgeon

A misericórdia de Deus manifestada ao perdido

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