A declaração de fé de uma igreja

A Declaração de Fé de uma Igreja é o seu credo, o que crêem e o que seguem, ou deve ser seguido. São as normas internas daquela igreja. As igrejas pentecostais não são muito realistas a respeito da Declaração de Fé de seus respectivos ministérios. Sabemos que toda igreja tem uma Norma de Fé, mas nem todas expõem isso claramente.

Acredito que isso ocorre pela falta de cultura bíblica. Os seminários religiosos fazem uma falta danada e a escolaridade secular e a cultura pessoal é importante.

Sempre advoguei que deveria haver um intercambio entre as denominações e os membros mais “destacados” deveriam visitar, compartilhar idéias e experiências com outras denominações.

Vemos gente estudada brigando pelos púlpitos, literalmente, sendo que o mundo é extremamente carente de obreiros. O problema é que o cara estuda muito e quer ser pastor de uma igreja rica com 10.000 membros, com um salário de pastor de R$ 10.000,00 por mês, ou mais.

Criticar é fácil, difícil é oferecer solução

declaração de fé

É fácil criticar os menos favorecidos, mas ir até o necessitado ninguém quer. Criticamos muito denominações que fazem muito barulho, pensando que Deus está no barulho, mas ir ensinar como é, ninguém quer. Criticamos os irmãos que não sabem pregar, ou que suas idéias são simples demais, outras até simplórias, rasas, sem nenhuma profundidade bíblica.

Hoje eu estava meditando na passagem de Marcos 1:1-8 e me chamou a atenção, entre outras coisas, o fato de que João Batista profetizou que ele batizava com água, mas viria alguém que os batizaria com o Espírito Santo. Imagine a dificuldade de hoje se explicar em termos simples, para que todos entendam, até uma criança, um texto desses? Vê a dificuldade teológica? Como se explica o que é batismo? E o batismo com água? E o batismo com o Espírito Santo?

Imagine explicar essas verdades para um povo que não estava acostumado a ouvir de Evangelho. Aquela turma que estava com João Batista, ali, estava ouvindo essas verdades pela primeira vez. E depois de séculos é difícil ainda explicar algumas coisas, sendo que muitos não estão conseguindo serem claros.

A Igreja precisa de intérpretes de Bíblia. Precisamos de gente que se capacita e se enche de diplomas e nos explique o que aprendeu. Nossa mensagem precisa ser tão simples e tão profunda, que uma criança saia discutindo a mensagem e um velho seja novamente confrontado pelas verdades do Evangelho.

O homem natural que está no mundo é comparado a um peixe que é pescado, e esse peixe vira uma ovelha quando está na terra, e a ovelha vira pescador, até quando o peixe virar ovelha e ele se tornar então pastor do seu peixe que virou ovelha, até que um dia seremos todos transformados e não sabemos o que haveremos de ser.

As pessoas são vasos de diferentes tamanhos

Outra mensagem clara pregada esses dias, com alto teor visual foi a posição dos servos que estavam no Casamento em Cana. Imagine – dizia o pregador – vasos do tamanho das pessoas, dos servos, dos obreiros. Os obreiros olhavam para seus vasos vazios e eles não tinham nada. Imagine pessoas que sabem o que tem que fazer: servir o vinho, a alegria; mas olham para seus vasos vazios e não tem mais vinho, alegria, unção. Imagine pregadores que não tem mensagem, ou cantores que não tem musica.

Primeira constatação: o vaso está vazio. Segunda constatação: porque está vazio: 1- porque não encheu, não orou, não leu a Bíblia. 2- Porque rachou ou foi rachado. E a terceira constatação é que precisa encher e isso se consegue enchendo de água. Símbolo da Palavra de Deus. E essa também alcançou o objetivo, de fazer-se entender por todos, desde os pequeninos, até os príncipes do púlpito.

Eu conheci alguns pregadores altamente preparados e acho interessante que alguns deles eram piores do que os não preparados. Mensagens confusas, sem pé nem cabeça, mensagens obscuras, mensagens sem começo meio e fim. O pior é que alguns para sentir o auditório, ainda perguntaram se o povo estava entendendo o que ele estava dizendo.

A não clareza dos nossos púlpitos é despreparo, mesmo. Ter um monte de diplomas na parede não confere que alguém será bom em nada. Em todas as minhas mensagens que Deus me permite pregar em algum lugar, eu procuro ter um tema, uma linha de pensamento, uma tese.

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Procuro me antecipar ao ouvinte e tento responder até o que ele não perguntou ainda, mas o texto já deu essa abertura. Ouço um monte de mensagens que não respondem nada.

Paulo Sérgio Lários

Paulo Sérgio é Presbitero, tecnico de informática e escritor

A declaração de fé de uma igreja

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